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Trabalhadores da recolha do lixo na Terra Quente em greve

Os trabalhadores que fazem a recolha do lixo nos cinco concelhos da Terra Quente Transmontana iniciaram ontem uma greve até ao final do ano em protesto pela incerteza relativamente aos postos de trabalho.


Os 20 trabalhadores pertencem à empresa FCC Environment, S.A., que termina a 31 de dezembro o contrato de prestação de serviço com a Resíduos do Nordeste, depois de ter perdido para a Ferrovial o concurso aberto para nova subconcessão.

De acordo com partes envolvidas no processo, a atual prestadora do serviço entende que os trabalhadores devem passar para a nova empresa, enquanto a que começará a fazer a recolha a 01 de janeiro rejeita essa obrigação por não existir convenção coletiva no setor sobre esta matéria.

A FCC trabalha há cerca de 20 anos nesta zona do distrito de Bragança, que abrange os concelhos de Mirandela, Vila Flor, Carrazeda de Ansiães, Macedo de Cavaleiros e Alfândega da Fé, municípios que já fizeram saber que irão assegurar serviço mínimos de limpeza no período da greve, até 31 de dezembro.

Os trabalhadores estão preocupados com o futuro dos seus postos de trabalho e, sobretudo se a antiguidade será mantida ou não, no caso de passarem ou serem contratados pela nova empresa, segundo o dirigente sindical José Emílio.

A empresa onde ainda prestam serviço, a FCC, emitiu um comunicado a garantir “irá manter os compromissos e obrigações contraídas com os seus clientes e trabalhadores” e que “respeitará os direitos que a lei concede aos trabalhadores”.

Assume ainda que estará do lado dos trabalhadores “na defesa legítima de seus direitos sociais”.

“Compreendemos e entendemos a posição dos trabalhadores, que lutam legitimamente pela estabilidade e continuidade de seus empregos. É exatamente nesse sentido que a legislação e as diretrizes - tanto da Comunidade Europeia como da legislação laboral portuguesa - também estão orientadas de forma a dar estabilidade ao emprego”, refere no comunicado. A empresa entende ainda que “a transferência dos trabalhadores para a nova unidade, como reivindicam justamente os trabalhadores, é o que melhor garante a qualidade e continuidade na prestação dos serviços”.

A nova empresa ainda não se pronunciou sobre o assunto.

A Resíduos do Nordeste, empresa intermunicipal que subconcessiona a recolha do lixo, publicou um comunicado na página oficial da Internet, no qual informa que, “ainda que se tratem de relações internas da entidade contratada”, tem “vindo a acompanhar diretamente o assunto”.

“Pedimos desculpa pelos incómodos e agradecemos a melhor compreensão para as perturbações que possam surgir apelando a que seja evitada a colocação dos resíduos, se possível, nos contentores públicos”, acrescenta.

A Resíduos do Nordeste promete ainda manter “todos os cidadãos informados sobre quaisquer desenvolvimentos sobre a situação”.

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