Agostinho Chaves

EDITORIAL

Marcha atrás

As duas notícias são do mesmo dia: em Alijó e na Chamusca, dois condutores mataram duas pessoas, ao fazerem marcha atrás, quando manobravam as suas viaturas.


1 - Em Alijó, morreu um homem de 70 anos que ia às compras e que foi colhido em pleno espaço de estacionamento do supermercado. Na Chamusca, um funcionário de uma empresa de gestão e tratamento de lixos foi atropelado nas próprias instalações da empresa em que trabalhava. Tinha 73 anos.
Não é nada bom fazer marcha atrás sem que sejam tidas em linha de conta as consequências que tais retrocessos poderão acarretar. Na marcha das viaturas como na marcha da vida das pessoas e do planeta em que vivemos.

2 - O que será uma pena suspensa? Como explicar que um patife tenha sido já condenado onze vezes com pena suspensa e continue por aí a fazer desacatos e a bater nas pessoas, ao soco e ao pontapé? A pena suspensa manter-se-á quando, no tribunal, ao ser julgado, este homem resolva agredir o juiz? Ou far-se-á marcha atrás, com o tribunal a manter as “divertidas” e “gozosas” suspensões?

3 - Mário Centeno precisava de se sujeitar a isto dos dois bilhetes “à borla” para assistir a um jogo do Benfica, no Estádio da Luz? Bastar-lhe-ia telefonar às relações públicas do clube e teria um convite gracioso para ocupar um lugar no camarote presidencial dos encarnados. Com toda a segurança. Na nossa terra, em marcha atrás, gostamos de ter “prendinhas” gratuitas, no natal, no ano novo ou em qualquer outra data qualquer…

4 - Nas vastas originalidades do futebol português, sobressai agora a intenção de fazer entrar na I Liga o Gil Vicente que, após um complicado processo judicial, foi absolvido do “Caso Mateus” que o fez baixar para a II Liga. Mas, para “evitar chatices” – foi um ilustre conselheiro da Federação que disse, tal e qual – com a marcha atrás, houve uma recomendação para que os jogos deste clube de Barcelos “não contem” para a classificação. Jogadores, treinadores, “staff” da equipa, adeptos do “Gil” vão ter um ano em beleza, também “divertido” e “gozoso”, “sem chatices”, fazendo outra marcha atrás: lembrando os jogos de quando eram meninos da escola que disputavam “na maior” e que, afinal, não valiam para nada. 

Há, realmente, coisas que custa a perceber…

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