Barroso da Fonte

Tese doutoral de 1728 confirma que Afonso Henriques foi Santo

Dia 6 de dezembro, foi apresentado na FNAC, o livro: «A Saga da Santidade de D. Afonso Henriques» que procura explicar a grande dúvida que se coloca desde a morte de Fundador de Portugal, em 6 de dezembro de 1185.


Desde a Batalha de Ourique, em 25 de julho de 1139, na qual venceu cinco reis mouros, se diz, se escreve e se ensina que na véspera dessa data, lhe apareceu um ermitão, a anunciar a vitória contra os inimigos da Fé. A historiografia Portuguesa sempre associou esta tradição que se entrelaçou com outras. Volvidos quase nove séculos não se sabe se pesa mais a lenda se a verdade dos factos.

 Em 1728, o teólogo português José Pinto Pereira, após  29 anos ao serviço do Vaticano, já na tentativa de responder a essa importante dúvida, procedeu a uma aprofundada tese teológica a qual, submetida a todos os graus hierárquicos da Santa Sé, mereceu aprovação unânime, concluindo que Afonso Henriques fora, verdadeiramente, «Pio, Beato e Santo».

Por razões que só agora se conhecem e que este livro procura explicar, nas suas 400 páginas, os seus co-autores, com base nos dez argumentos ou indícios de santidade, o volume a que foi dado o título latino de Apparatus Historicus, foi publicado, em Roma e em latim, em 1728. Mas não chegou a ser distribuído. Embora já tenham decorrido 290 anos desde o aparecimento dessa obra, só agora se torna pública com a vantagem de ser traduzida para português. Em 2014, timidamente, foi publicada uma edição de 500 exemplares com as duas versões: latim e português. Mas nem a imprensa, nem as instituições académicas, nem a autarquia Vimaranense, difundiram o importante achado. 

A Fundação Lusíada e a Ordem de Ourique, vocacionadas para as grandes causas da História Portuguesa, face ao desinteresse nacional, entendeu explicar, em edição própria, o simbolismo deste achado que, desde há cerca de 300 anos, está cientificamente estudado, mas inacessível ao grande público, por três razões essenciais: o desconhecimento da obra, a barreira do latim e o desinteresse por parte do público, nomeadamente da comunidade científica.

Os quatro coautores, dois dos quais se empenharam na tradução dessa tese, deram as mãos por mais uma forma de trazer a público, um documento objetivo que pretende resumir o historial do aparato histórico e que confirma o local, o dia e o mês de nascimento, bem como o local do batismo do nosso Rei Fundador. Só não confirma o ano. Mas chama a atenção de todos aqueles que até hoje, vivem da história e para a história, mas nunca tiveram acesso a tão importante investigação. 

São coautores desta obra: Abel de Lacerda Botelho, patrono da Fundação Lusíada, Américo Augusto Ferreira, tradutor, Narciso Machado, Juiz Desembargador e Barroso da Fonte, coordenador do livro. Qualquer Loja da FNAC tem o exclusivo de venda ao público.
 

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