Ângelo Lêdo

Entrudo de Constantim!

É o Entrudo! Corram, mas não fujam!


É antigo, é nosso!

 

 

 

 

 

 

 

O Carnaval de Constantim é dos poucos que, neste secular país, implantado num território habitado por povos de cultura milenar, mantém um caráter genuinamente popular.

No entanto, fruto de fenómenos como o despovoamento e a chamada “modernidade”, está em acelerado e nítido declínio. O nosso Entrudo é constantemente, atacado e menosprezado por pseudo modernistas, muitos deles transmontanos, que o acusam de “selvático” e violento, não se apercebendo que a promoção do seu fim significa a despromoção da nossa identidade cultural e da nossa especificidade enquanto povo. Exibem a sua urbanidade, aderindo ao carnaval global,  iludindo e iludindo-se, dançando ao ritmo de um carnaval que não sentem, “despidos” de tradições, que ostentam em adoração a um  sol “tropical” que aquece a pele e os corações de outras gentes. Promove-se uma festa, cujo sentido e alma moram noutras latitudes culturais, em detrimento de uma tradição que sendo espontânea é verdadeiramente genuína, que sendo individual é verdadeiramente coletiva, que sendo das gentes é verdadeiramente popular!

Menospreza-se um facto que sendo cultural devia ser cultivado!

Vislumbra-se o fim de um ritual que sendo identitário devia ser protegido!

Vaticina-se a morte de algo que sendo intemporal devia ser imortal!

É o nosso Entrudo, é um pouco de todos nós! 

É o Entrudo de Constantim! Corram, mas não fujam!!

 

Entrudo!

Oiçam todos, velhos e novos!

Este é o nosso Carnaval!

É uma festa milenar

Que veio para ficar!

Ainda o tempo era pagão

E já era tradição!

É o entrudo é “ violento”,

Mas é nosso, perguntem ao Tempo!

Não o esqueçam! É cultura.

 É a nossa identidade. 

Na nossa aldeia perdura 

O Entrudo da saudade! 

 

 

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