Agostinho Chaves

EDITORIAL

Brasil

O Brasil é um país maravilhoso e as suas maravilhas resultam das situações mais variadas que possamos analisar.

 


O mundo conhece a sua literatura, a sua música, a sua arte. O Brasil continua sendo um país de desporto, essencialmente de futebol que é apreciado em todo o mundo, com as suas vedetas inesquecíveis. As paisagens do Brasil, desde a litoralidade da praia do Rio de Janeiro e da estátua do Cristo-Rei até à selva interior e magnífica da Amazónia, são também conhecidas e apreciadas em todo o mundo. E há as gentes, quentes, alegres, afáveis, bonitas nos olhos, nas cores da pele, nos corpos e na alma que carateriza todo um povo. O Brasil é o samba, o batuque, a sanfona, o forró, o chorinho e o romance.

Onde há tanta beleza também há nódoas muito negras. O Brasil nunca soube nem pôde libertar-se da anátema resultante de ditaduras militares sucessivas e de ambientes de violência, politicamente crispados e de corrupção.

Atentemos em algumas dessas nódoas, bem recentes: o motim numa prisão de Goiânia causou nove mortos; um grupo armado fez 14 mortos numa discoteca de Fortaleza; Marielle Franco (vereadora do Rio de Janeiro) foi abatida a tiro numa rua da sua cidade; o ex-presidente Lula da Silva entrou na prisão de Curitiba para cumprir 12 anos de prisão a que foi condenado, com manifestações de apoio aqui e manifestações de repúdio ali, ameaçando confrontos. E sobre a cabeça de Temer paira, oscilante, a espada de Dâmocles.
Nas ruas e nas favelas campeia a confusão: há os traficantes, as forças policiais, as milícias e as contramilícias, na maior parte das vezes sem se saber onde começam umas e onde acabam outras. 

O Brasil mantém um estatuto próprio de conviver com situações díspares. Mas, no fim, permanece um país maravilhoso, em que as suas gentes são quentes, alegres, afáveis, bonitas e cheias de graça. Como a garota de Ipanema.
 

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