Barroso da Fonte

A Capela Nova à luz das novas pesquisas de Salvador Parente

Este jovem de 84 anos é como o vinho do Porto: quanto mais velho, melhor!  Das suas habilidosas mãos recebi, no dia da confraternização anual dos antigos alunos do Seminário, um pesado volume em capa dura e com miolo a cores, uma monografia histórica que nunca terá atraído qualquer investigador com a estaleca deste padre que aos 22 anos concluiu o curso Teológico, tendo de esperar dois anos para ser ordenado (1958).


Nesses dois anos de espera obrigatória foi destacado para prefeito e professor de Latim, Matemática e Educação Física no Seminário Diocesano de Figueira da Foz. Com a ordenação sacerdotal regressou à sua diocese e concelho de Vila Real para assumir a assistência em Vale de Nogueiras, a medieval Panoias que teve foral do Conde D. Henrique, em 1096, a par de Guimarães.

Desde 868 fora Vímara Peres a fixar residência no Porto, ao ser criado o Condado Portucalense.

Por volta de 926 é Mumadona, mulher do Conde de Tui, que transfere a sede do Condado para o interior, por razões de segurança. Com o casamento de D. Teresa com o conde D. Henrique em 1096, é concedido foral, ao mesmo tempo, a Guimarães e a Panoias. O que relevou, desde essa data o interesse de Constantim de Panoias e de Guimarães.

Salvador Parente cedo foi desafiado pelo interesse histórico, do espaço geográfico que correspondia ao espaço imaterial e religioso que lhe fora confiado. Como “a necessidade cria o órgão” voltou-se para o estudo do meio. Todo o chão que pisou era campo de estudo. Quer do meio humano, quer da origem e evolução social e patrimonial. Ele o irmão, mais velho, João Parente Ribeiro, não se impuseram apenas pelo gosto da caça, pelas motas de alta cilindrada, pela investigação histórica, numismática, medalhística, pela etnografia, pela arqueologia, pela música e por quanto à cultura diz respeito. Nasci na década de 30/40 como eles. Mas ainda eram teólogos em final de formação quando eu entrei. Fui sempre uma lâmpada quase fundida, a tentar segui-los. Nunca passei de mero aprendiz de quase tudo. Mas sempre eles e outros seus ilustres coetâneos foram meus luzeiros no meio século que levo de aprendizagem permanente. Já comecei a ler a “Capela Nova”. Passei muitas vezes perto dela. Nunca esperaria vir a conhecer o seu interior, com tão rica talha, tão vivos painéis, azulejos, medalhões do teto, torre sineira, coruchéus, altares e, sobretudo, tão interessante história. Simples como parecia ser aos olhos do passante, pasma o leitor, sobre a evidência de como, dessa simplicidade, Salvador Parente elaborou uma tese doutoral que bem merecia essa defesa perante um júri adestrado em arte sacra. Obrigado Mons. Salvador Parente por mais este tesouro.

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