Victor Pereira

Maio de 68

Há cinquenta anos, a França vivia um dos meses de maio mais conturbados da sua história. Um movimento estudantil protagonizou uma revolta, exigindo um futuro melhor para os jovens, uma revolução cultural, reformas na educação, na política e na economia, mudança de mentalidades, transformação dos usos e costumes, enfim, uma profunda mudança social. Ficou conhecido pelo maio de 68. 


Existia uma grande sede de liberdade e de esperança entre a juventude, que se sentia manietada por poderes e mentalidades autoritárias e conservadoras que já não tinham sentido. Nunca mais as sociedades europeias foram as mesmas a partir do maio de 68. Algumas das ideias e propostas sugeridas pelos contestatários acabaram por ser acolhidas e iniciou-se a tão almejada transformação familiar, empresarial, política, económica e social. Movimentos como o feminismo, a ecologia, assim como o polémico politicamente correto que hoje vigora, e ideias como a autonomia do indivíduo, o relativismo, o subjetivismo, a liberdade sexual, tiveram ali o seu impulso.

Pergunto-me se não exagerámos na liberdade sexual e se não temos de a repensar. A família passa por grande instabilidade, com grande repercussão nas relações entre os seus membros, na educação dos filhos e na sociedade. O império do prazer tem promovido a imaturidade e diluído o casamento e a capacidade de entrega e compromisso, fundamental nas relações humanas. O consumo de pornografia está a atingir níveis nunca vistos. Segundo relatos médicos, todos os dias, jovens entram nos consultórios com impotência sexual e manifestam incapacidade de viver um namoro saudável. A masculinidade começa a manifestar sintomas de crise. Constatamos diariamente como estamos diante de uma sociedade viciada em erotismo e sexo, coadjuvada por um bom número de drogas que foram desenvolvidas para a alta performance sexual. A sexualidade está transformada em fonte de escravatura e não de amor sadio e realização humana, limitadora da liberdade e de uma vida sexual sã e humana. E não esquecendo o grande número de mulheres forçadas a alimentar esta voracidade sexual. 

Não defendo a regressão aos tempos do conservadorismo, mas também não me parece que seja bom uma sexualidade descontrolada, libidinosa, deseducada, sem valores, fonte de escravidão e desumanidade.
 

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