Armando Moreira

MIRADOURO

O Interior primeiro

1 - O Programa da RTP1 do Pós e Contras, sob o título “O Interior Primeiro” (28 MAI) dá-nos o mote para concluir a reflexão que fizemos há duas semanas sobre o Movimento Pelo Interior. Trata-se de uma cruzada a que meteram ombros 10 personalidades públicas, entre as quais os autarcas da Guarda (PSD) e Vila Real (PS).


E pelo que pudemos perceber ontem, este tema, a que a nossa estação televisiva estatal deu voz a partir da Guarda, com uma sala apinhada de mais de 400 pessoas, começa a fazer o seu caminho, porque se trata, deixem-me dizer, de uma questão de vida ou de morte para todo o país: se nada se fizer, o Interior estará morto daqui a 40 anos e no Litoral (menos de um terço do território) será um inferno, porque faltará ali espaço vital para uma vivência saudável. Alguém naquele contexto comparou a vivência no Litoral, com o que se verifica agora no Algarve nos meses de agosto e setembro.

Este Movimento pelo Interior (MPI) sintetizou em três temáticas – Política Fiscal, Ocupação do Território e Educação, com a apresentação de 24 propostas muito concretas, a implementar desde já e num horizonte de três legislaturas (12 anos), para começar.

A ideia, em resumo, é trazer e fixar pessoas no Interior, através de uma política fiscal agressiva e exclusiva destes mais de 2/3 do território nacional, para a captação e instalação de empresas que deem emprego, com a criação ou transferência de serviços públicos do Estado (novos ou mesmo já existentes), e no domínio da Educação – aumentar os númerus clausus nas Universidades e Politécnicos, incentivos para a atração de estudantes e investigadores, reforçar o número de bolsas, linhas de apoio a programas integrados de desenvolvimento e de investigação. 

2 - Não cabe neste breve apontamento descrever as 24 medidas apresentadas. Diremos em resumo que são elas próprias (apenas) exemplificativas das medidas excecionais, que sejam quais forem os governantes, devem tomar, para inverter este outono demográfico em que o país se encontra.

Faz-se apelo também à responsabilidade das autarquias locais, no sentido de que se deixem de capelinhas e se comprometam verdadeiramente nas comunidades intermunicipais (CIMs), aproveitando esta maré de descentralização de competências e apostando em projetos de investimento. 

3-  Quanto a nós estas 24 medidas não esgotam o muito que se pode fazer, para ocupar o território, bastando repetir experiências com êxito, lançadas em Trás-os-Montes na década de sessenta e oitenta – o Complexo Agroindustrial do Cachão (Engº. Camilo de Mendonça) e o Plano de Desenvolvimento Rural Integrado – PDRITM (Engº. Valente de Oliveira), que tinham a perspetiva de ocupação e desenvolvimento integrado de todo o território do mundo rural – por via do aproveitamento agrícola, pecuário e florestal. São dois modelos já testados que se ajustam ao desenvolvimento das propostas feitas por este Movimento e que poderiam de novo ser implementados, agora a uma escala mais alargada. Até porque, pelo que nós conhecemos, há saber científico nas nossas instituições de ensino superior e universitário, capaz de operar a revolução de desenvolvimento de que estes territórios carecem.

Comentários