D. Amândio Tomás

Os Jovens arautos e obreiros da Vida e da Esperança

Homilia da Missa, proferida por D. Amândio Tomás, no encerramento do Dia da Diocese, em Mondim de Basto.


"Caros Padres, Diáconos, Religiosas e Leigos! Queridos Jovens e Adolescentes, que sois a esperança da Igreja e evangelizadores e arautos de Cristo! O que vos distingue é a fortaleza, a santa rebeldia, a fé em Cristo que vos assegura a alegria e a vitória contra o mal, não vos deixando arrastar por obreiros de opinião, pelo politicamente correto, pelo ‘Maria vai com as outras’ e pelo comportamento acrítico e desmotivado. Como diz S. João, interpelo-vos Jovens, “que sois fortes, acreditastes em Cristo e vencestes o maligno”. Cristo e a Igreja contam convosco. Vós sois discípulos, eleitos e testemunhas do Ressuscitado e os obreiros do futuro, do mundo novo e da esperança.  

1 - Os Fariseus censuram Jesus e os discípulos de não observarem o sábado e o jejum (Mc 2,18-3,6) e Jesus diz que, sem amor e compaixão, o sábado e o jejum não servem. Jesus censura a prática religiosa inoperante, de emplastros, remendos e odres velhos, incapazes de reter a alegria e novidade do vinho novo, que se perde, se falta mudança de vida, novidade e surpresa. Não chega a religiosidade estéril e sociológica, se falta empenho, misericórdia e perdão. Não servem as mãos nos bolsos, na missa, sem parte ativa e convicta na missão de Cristo e da Igreja. Não conta a pastoral de manutenção e prestação de serviços, sem empenho e sem conversão. As pessoas desejam alegria, vida eterna e esperança. Há que arregaçar as mãos, anunciar Cristo Ressuscitado que há de vir e razão da esperança, com convicção e ardor, dando às pessoas o que não têm e desejam, recebendo, por osmose, os dons divinos e dando, com gratidão e por contágio, o que os humanos, homens e mulheres, necessitam.

A cura do paralítico, com a mão atrofiada é sinal de que Deus intervém e quer o bem das pessoas e que elas se convertam e vivam. O amor a Deus mostra-se, na cura e na solidariedade e o sábado da glorificação de Deus, brilha no amor e serviço ao próximo. Se, ao Sábado, os animais eram levados a beber, sem deixar de o observar e se David e os soldados comeram os pães, que só os sacerdotes podiam comer, resulta que é do amor donde tudo provem e para onde tudo converge. Assim, tocamos o cerne que S. João refere: “ninguém diga que ama a Deus a quem não vê, se não ama o irmão que vê” e  “não amemos só, com os lábios e com a língua, mas com obras e em verdade”.  

Deus Misericordioso quer a compaixão e a obediência e não o sacrifício e o ritualismo exterior e balofo. Deus quer o amor fraterno, a solidariedade e que nos levantemos do sofá, como diz o Papa Francisco, indo às periferias e hospitais de campanha, em ajuda de quem sofre, fazendo o bem, testemunhando a fé que atua pela caridade e sendo magnânimos e misericordiosos, em prol dos frágeis, dos necessitados e dos excluídos.

S. Paulo diz que levamos o tesouro divino em vasos de barro, para mostrar que a força superior do anúncio vem de Deus e não de nós (2 Cor.4, 6-11) e embora a missão seja árdua, a vitória é certa porque perseveramos no amor e somos protegidos por Deus.

2 - A Diocese de Vila Real dedicou três anos à Família, berço, escola e púlpito da fé e da vida cristã, célula mãe da sociedade e da Igreja. Dedicou o último ano às vocações ao ministério ordenado e à vida consagrada e laical, esperando que as famílias sejam um alfobre de vocações. Celebrando o Centenário das Aparições da Virgem Santíssima, em Fátima, recordamos, no ano pastoral que termina, o repto da oferta da própria vida a Deus, como Ela pediu aos Pastorinhos: “ Não quereis oferecer-vos a Deus”?

O “Campus Vocacional”, neste Dia da Diocese, em Mondim de Basto, foi ilustrativo e mostrou a diversidade de vocações e o leque de carismas, opções e serviços, que o Espírito sugere, para glória de Deus, anúncio e vivência do Evangelho de Jesus Cristo e para a salvação das pessoas, onde quer que se encontrem, sem qualquer exclusão e rejeição, porque o amor de Deus, que o Espírito derrama nos nossos corações, quer a salvação do género humano e nunca faz, nem quer que se faça, acepção de pessoas.   

3 - Após os dois Sínodos sobre a Família e a reflexão sobre a “Alegria do Amor”, o Papa Francisco convocou o Sínodo sobre os Jovens e o mês Missionário Extraordinário, para outubro de 2019, para celebrar o centenário da Encíclica “Maximum illud” de Bento XV (30.XI.1919), com o tema: “Baptizados e Enviados: a Igreja de Cristo, em Missão, no mundo”. Os Bispos Portugueses decidiram ir mais longe e, dado que, entre nós, outubro é o mês missionário, propor como etapa final outubro de 2019 de todo um Ano Missionário Extraordinário, a iniciar em outubro de 2018 até outubro de 2019, assinalado com a Nota Pastoral: “Todos, Tudo e Sempre em Missão”. 

Em sintonia, com a vontade do Papa Francisco e com a Igreja Portuguesa, dedicamos o Ano Pastoral de 2018 a 2019, aos Jovens Discípulos, Arautos e Obreiros da Esperança, que é Cristo. A Diocese tem pouca gente nova e muitos fogem e se desinteressam por Deus, por Cristo e pela Igreja. Há que atraí-los, propondo valores e causas dignas de serem vividas e abraçadas. O Papa Francisco aponta o que fazer, nas suas 4 dimensões: 
a)– O encontro pessoal com Cristo, na Eucaristia, na Palavra e na oração missionária; 
b)- O testemunho dos santos mártires da missão e confissões de fé, na Igreja universal; 
c) – A formação bíblica, com a catequese espiritual e teológica sobre a missão eclesial; 
d)-  A caridade missionária e a necessária ajuda material e de formação aos agentes. 

A missão vai pela via do afeto, das relações fraternas, do amor, nasce no coração e dirige-se ao coração, segundo o Beato Newmann: “o coração fala ao coração”. A fé nasce do encontro com Cristo e não pode deixar de se exprimir e actuar pela caridade.

Peço-vos muito empenho, muito amor e a entrega íntima e vocacional a Cristo, que como disse Bento XVI: “nada vos rouba, mas, antes, tudo vos dá e tudo vos assegura”.

Que a Virgem Santíssima, modelo de fé, obediência, serviço e docilidade a Deus, Vos proteja com a Sua celeste intercessão, ajudando-vos a fazer o que Jesus vos disser".

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