O Colégio Salesiano de Poiares vítima de uma decisão iníqua
Desde muito novo que por razões familiares e outras, tenho mantido com a pitoresca e dinâmica aldeia de Poiares uma relação afetiva e sentimental em que tudo o que aí acontece desperta sempre a minha curiosidade e interesse.
Poiares, que partilha as suas responsabilidades territoriais, em termos administrativos, com a povoação vizinha de Canelas, já que ambas constituem agora uma nova entidade designada por União de Freguesias, em consequência dessa pseudorreforma promovida e concretizada pelo inigualável Miguel Relvas, tem vindo paulatinamente a perder, sem fim à vista, a importância económica, social, cultural, educativa e também na vertente da segurança das populações, abrangidas pela sua área de influência, que em tempos conquistou.
E por que acontece tudo isto, perguntar-se-á? Porque nos últimos anos viu desaparecer do seu universo, serviços e instituições de crucial relevância, no contexto local, que a tornaram diferente de todas as aldeias envolventes, de que se destaca, apenas como exemplo, o encerramento do Estabelecimento Comercial de armazenagem e retalho de grande dimensão e diversidade de produtos do saudoso Campos, do Posto da GNR, da Farmácia e da Extensão do Centro de Saúde.
Esta triste realidade agravar-se-á com o previsível encerramento, já anunciado, a partir do próximo ano letivo, do Colégio Salesiano.
A materializar-se tal cenário, como corolário da decisão do Ministério da Educação em não prolongar o contrato de associação, que vem mantendo com aquele estabelecimento de ensino, isso constituirá um rude golpe na formação escolar que os Salesianos vêm promovendo e desenvolvendo há décadas em Poiares. Primeiro, nas antigas instalações do Seminário, onde hoje funciona o Centro Social e Paroquial D. Manuel Vieira de Matos, constituído pelas valências de creche e infantário, e, atualmente, em modernas instalações construídas de raiz, para lecionação do ensino preparatório e secundário e de outras atividades.
Há uns dez anos, fiz parte de um júri de seleção para decidir qual, seria selecionada, das propostas concorrentes à construção de uma piscina, nas instalações dos Salesianos de Manique. Depois da análise efetuada, o responsável pelas ditas instalações, obsequiou os membros do júri com um jantar, num restaurante das proximidades, durante o qual surgiram várias conversas, dentre elas, curiosamente, a de que os Salesianos tinham recebido uma proposta de compra, do Colégio de Poiares, no valor de uma verba bastante avultada. Evidentemente, que a oferta foi recusada por ser contrária aos princípios fundadores da Congregação, uma vez que não é o lucro que a move, mas apenas a promoção dos valores educativos e sociais da população escolar.
Numa época em que tanto se fala da tomada de medidas incentivadoras, visando evitar a desertificação do interior, decisões destas são incompreensíveis, não só, por acentuarem, ainda mais, essa tendência, que parece ser irreversível, mas também por estarem em total contradição com tudo o que os paladinos do desenvolvimento das nossas vilas e aldeias têm apresentado.
Por tudo isto, entendo que cabe aos senhores deputados, pelo Círculo de Vila Real, a iniciativa de confrontar o Governo sobre esta matéria, exigindo que o Ministério da Tutela, reconsidere tão nefasta decisão para bem de uma instituição de ensino modelar e concomitantemente de uma vasta comunidade escolar transmontano-duriense.

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