Agostinho Chaves

EDITORIAL

Quantidade e qualidade

Desde sexta-feira até ao dia de ontem (altura em que este texto foi escrito) continua a lavrar o incêndio de Monchique, cerca de um ano depois de ter acontecido o de Pedrógão Grande.


Um ano que, ao que estamos a ver e a sentir, não perspetivou nada de satisfatório quanto à evolução da forma de prevenir e de atacar este tipo de sinistro, já que se verificam de novo os erros, a falta de comunicação e coordenação, a ineficácia dos meios. Voltam as críticas entre as entidades e desta vez há um estranho silêncio do ministro da Administração Interna e umas vagas palavras do primeiro-ministro pedindo calma e serenidade (quanto ao PR também não  está a reagir como lhe costuma ser habitual).

Com efeito, pedir calma e serenidade a quem se viu desalojado, a quem viu arder as suas casas e os seus bens tem lógica mas não chega. As pessoas merecem que os seus governantes estejam mais próximos de si, mais interventivos e menos implorantes. Ao menos, felizmente, ainda não morreu ninguém, único trunfo para um secretário de Estado que veio às televisões dizer que é “prioritário” defender as pessoas.

Numa questão destas não pode haver prioridades. A luta contra o fogo tem de ser global, uma só. Prioritário é tudo: as pessoas e as suas atividades, os bens, o ambiente, a natureza, a mobilidade, a confiança. Tudo é importante na vida das pessoas.

Este incêndio de Monchique mostra-nos que quantidade nem sempre é qualidade. Os muitos meios de que dispomos têm que ser geridos com competência. E isso não está a acontecer.

NOTA – Num texto editorial anterior, dissemos que Belmiro de Azevedo criou a SONAE. Leitor atento e amigo chamou-nos a atenção para o erro. A fundação da “Sociedade Nacional de Estratificados” aconteceu em 18 de agosto de 1959, por um grupo liderado por Pinto de Magalhães. Só em 1965 Belmiro de Azevedo foi contratado para a SONAE. Fica a retificação.

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