Armando Moreira

MIRADOURO

Os passes de Medina

Fernando Medina, Presidente da Câmara de Lisboa e eventual herdeiro de Costa na liderança socialista, em entrevista ao Jornal Expresso da semana passada, anuncia como grande iniciativa do seu mandato, a proposta de redução do custo do passe social nos transportes da Área Metropolitana de Lisboa, com um custo máximo de 30 euros por ano dentro da cidade e de 40 euros para circular nos 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa. 


Esta redução no preço da bilhética dos Transportes Públicos (metro, carris e outros) terá um custo estimado de 65 milhões de euros, que será suportado pelo Orçamento Geral do Estado. Ou seja, pelos contribuintes de todo o país. Já anteriormente alertamos para o desvio que está a ser feito na aplicação de Fundos Comunitários, com a tentativa de se construírem duas novas estações de metro, recorrendo às verbas do Fundo de Coesão, que vêm para o nosso país, justamente para diminuir as assimetrias que se verificam entre as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e o interior do país. Não contentes com isso, surge agora esta ideia “peregrina” de assacar o custo dos Transportes Coletivos de Lisboa, e supostamente também do Porto, do erário público.

Será que isto é sério? Que resultados deu esta pregação do autodesignado Movimento para o Interior, que tanto acarinhamos, em que se pretendia que se começasse a fazer justiça, com medidas compensatórias para quem vive por aqui? Veja-se a resposta. De tal sorte que até o Ministro do Ordenamento do Território e Ambiente, Matos Fernandes, veio a correr afirmar que como era evidente, esta redução tarifária do Transporte Coletivo, seria extensível a todo o país. Como? Onde estão os Transportes Públicos Coletivos em Vila Real, Bragança, Guarda e por aí adiante? Recorde-se até, porque vem a propósito, que o que tem sucedido é a extinção do pouco que havia, como sucedeu com as vias férreas de bitola reduzida.  

Mas o que nos espanta também é a fraca reação dos autarcas do país, a uma medida tão discriminatória, como aquela que está ser imaginada pelo Doutor Medina, e que conta com o apoio do próprio Primeiro-ministro. Onde é que podem ser feitas as reduções nos transportes de Trás-os-Montes, das Beiras, do Alentejo, se não há transportes públicos? 

Aqui deixamos uma sugestão. Como é sabido a carga fiscal no nosso país é das mais elevadas da Europa. Nesta, tem um peso significativo o imposto sobre os produtos petrolíferos (ISP). Como praticamente não há família hoje que não tenha carro, mota, ou motorizada, apliquem os 65 ou 70 milhões que iria custar esta benesse aos lisboetas e portuenses, reduzindo o custo do gasóleo e da gasolina. Porque essa redução também se iria traduzir eventualmente na redução do preço de muitos géneros alimentares que se comercializam nas grandes superfícies.

Isso sim, seria fazer justiça universal, até para quem resida em áreas metropolitanas.
T

ambém acabaria por ser uma medida com bons efeitos eleitorais para o governo que a venha a tomar.

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