Victor Pereira

Um ataque infame ao Papa

Substituir o Papa Bento XVI não era tarefa fácil. Bento XVI era intelectualmente brilhante, com uma bagagem teológica e cultural notável e uma capacidade analítica e crítica da realidade quase imbatível.


Foi com ele que a Igreja começou a enfrentar a pedofilia com coragem e destemor. No entanto, já idoso e debilitado, sentiu-se incapaz de enfrentar este e outros problemas graves, que começavam a ser conhecidos no seio da Igreja. Apresentou a sua inesperada, mas bem ponderada e assertiva, resignação. 

Entrou em cena o Papa Francisco, com outro estilo e outra linguagem, desde logo bem acolhido por muitos leigos, por muita imprensa e até por setores sociais hostis ou mais indiferentes à Igreja. A hierarquia ficou na expetativa, mas boa parte dela começou paulatinamente a aderir ao novo pastor, que veio do fim do mundo. Contudo, cedo se percebeu que o Papa Francisco iria ter uma forte resistência interna, na Cúria romana e fora da Cúria, sobretudo da fileira mais tradicionalista e conservadora da Igreja. Começaram por acusá-lo de parecer um pároco de aldeia a falar, com um vocabulário rudimentar, pouco incisivo e estruturado.  De expor o papado a uma certa banalização e a uma exposição mediática exagerada e de começar a ter posições muito criticáveis, quase heréticas. O Papa foi respondendo que alguma Igreja está enferma e prenhe de maus vícios: clericalismo, soberba sacerdotal, elitismo, luxo, vaidade, autossuficiência, funcionalismo, comodismo, apego ao dinheiro e à riqueza, vanglória, maledicência, indiferença, mundanismo e exibicionismo. Críticas assertivas que caíram como raios em alguns setores eclesiais acomodados e reacionários. Estalou a guerra. 

A publicação da exortação apostólica Amoris Laetitia, com a possibilidade, e bem, de os recasados poderem aceder à comunhão eucarística após um processo de discernimento, estabeleceu definitivamente o confronto, com ataques duros e impiedosos ao Papa por parte da fação mais conservadora. No entanto, jamais se imaginaria que, num momento tão delicado, como é este dos relatórios sobre a pedofilia, se aproveitasse a própria pedofilia para se desferir um ataque injusto, abominável e soez ao Papa. Perderam toda a razão e credibilidade e até o respeito, no prélio com o Papa Francisco. Força Papa Francisco. 

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