Agostinho Chaves

EDITORIAL

Extremidades

Há uma corda esticada por forças opostas. Se a corda partir, para onde tenderão as pontas?


Cresce o papão da extrema-direita e as pessoas dividem-se. Umas creem que o papão nos vai papar, rasgando a carne e roendo os ossos da democracia e do liberalismo. Outros pensam que o papão só pode ser redentor. Que vem aí para reavivar valores, castigar os maus e impulsionar os bons.

Aos poucos, a nossa sociedade tende a eliminar a classe média de cidadãos. Os que produzem mais, os que contribuem para o cofre do Estado, os que consomem moderadamente e à medida das suas necessidades, os que lutam para viver, procurando viver em equilíbrio sobre uma corda tensa. Há dois antípodas na nossa sociedade atual: os ricos de um lado, os pobres do outro. Os primeiros não são tantos quanto os segundos. Mas têm mais, têm tudo o que precisam. No entanto, sempre insatisfeitos e na convicção da sua importância, ambicionam ser detentores de muito mais, sempre mais. 

O mesmo se passa com as ideologias que impulsionam ou fazem regredir as situações do mundo. O centro está em extinção, a esquerda e a direita puxam a corda, combatem-se, uns fomentam os seus apetites, outros esperam a diarreia nos seus adversários políticos para poderem por a mesa à sua maneira.

Durante décadas, desde o tempo das ditaduras, os vencedores criaram uma nova ordem mundial. Os vencidos escolheram a concha da espera para poderem vir contrariar e combater o sistema. E, aos poucos, vão aparecendo. A extrema-direita já está em muitos países europeus, combatendo para já os imigrantes em debandada. Já ganhou o lugar mais importante da América. Está perto de fazer o mesmo no Brasil. Perto de nós, a senhora Le Pen também se prepara. 

A insegurança leva à tentativa de mudanças radicais. Será de admirar que as coisas estejam a ficar assim?
 

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