Barroso da Fonte

Dois livros do Coronel Jorge Golias

No dia 4 do corrente mês, decorreu na Biblioteca Municipal de Montalegre a apresentação da Antologia de Autores Transmontanos, Durienses e da Beira Transmontana


coordenada por Armando Palavras e apresentada pelo Presidente da Direção da Casa de Trás-os-Montes de Lisboa, ritual que se vem realizando pelos 35 concelhos, cada vez com mais apreço pelo valor e oportunidade da obra mais visível do IV Congresso Transmontano. Valeu a pena subir à fronteira do norte do país para aqui serem anunciadas duas decisões do Dr. Hirondino Isaías: a realização do V Congresso, em Mirandela, em 2020, que será solenizado pelo simbolismo do I século, desde 1920. Daqui nasceu a ideia de ser apresentado, nessa data, um segundo volume desta Antologia que, embora volumosa, não conseguiu (por falta de tempo), inserir mais autores, lacuna que irá ser reparada.

O Dr. Jorge Lage, que foi o colaborador mais próximo do Doutor Armando Palavras, esteve presente e trouxe-me dois livros da autoria do Coronel Jorge Golias que reside em Lisboa e que lhe confiou dois livros da sua autoria para me entregar. Aconteceu agora e de imediato os referencio aqui, pelo apreço pelo Coronel a quem já chamaram o pai moral das directrizes que levaram à emancipação pacífica, na Guiné-Bissau, entre 1972 e 1974. 

Este valoroso membro do MFA nasceu em Mirandela, em 1941. Cursou a Academia Militar na Arma de Transmissões e licenciou-se em Engenharia Electrotécnica. Autor de várias obras, deu mais nas vistas: «A descolonização da Guiné-Bissau e o movimento dos Capitães», à qual Carlos de Matos Gomes chamou «um resgate da verdade feito com uma invulgar abordagem da escrita, em que o tempo da narrativa é o tempo da história. O resultado é uma crónica de dois anos de 1972 a 1974 que o autor escreve como se estivesse a vivê-los hoje». Esta obra, escrita em linguagem serena, escorreita e sem recurso a euforias narcisistas, é enriquecida com documentação inédita, verídica, de fácil leitura e de compreensão apriorística, garantindo uma autenticidade inquestionável. A obra surgiu no mercado em abril de 2016. Um ano depois mereceu uma reedição com um enriquecedor posfácio de Aniceto Afonso. «O Golias não assume o privilégio da verdade, assume apenas a sua verdade».

Outro livro deste heróico autor é o «Perfil Literário de Altino Cardoso». Uma espécie de biografia sobre: «música, literatura, jornalismo, história, pedagogia e teatro». Confirmo em Atino Cardoso estas seis vertentes, ou tendências, do meu ex-colega de Seminário de Vila Real. De aluno distinto e de músico predestinado, não era de esperar outra coisa.

Comentários