António Martinho

VISTO DO MARÃO

“10 Anos é muito tempo”

Ocorreu-me esta canção de Paulo de Carvalho quando me caíram debaixo dos olhos duas notícias do Público. Títulos: «Portugal consolida Estratégia de Inovação e Tecnologia» e «Governo falha ligaçâo a apoios Europeus para investir na ferrovia». 


A 1ª relativa à Web Summit que se realizará em Lisboa nos próximos 10 anos. Motivo de congratulação para todos. Pessoalmente, congratulo-me com todas as diligências do Governo e da Câmara de Lisboa para “consolidar a estratégia de inovação e tecnologia”, ao vencer a disputa pela realização de tão importante evento em Lisboa. A notoriedade da capital sai valorizada, a afirmação de Portugal nas áreas da inovação reforça-se, o emprego qualificado mostra o nosso país como polo de atração para os que estão fora (nacionais ou estrangeiros) e de motivação para permanecer e aqui trabalhar para os que nunca saíram. Mas não é despiciendo o retorno financeiro de um evento desta natureza, cujos resultados, aliás, foram bem visíveis nos últimos anos.

Tenho defendido, e esta candidatura vencedora reforça o meu ponto de vista, que é importante gerir os eventos de âmbito internacional numa perspetiva mais global. Reconhece-se que há níveis de exigência que não permitem pensar tudo para todos os locais. Seria estultícia. Mas se os grandes congressos e conferências são naturalmente para Lisboa e Porto – cidades e Áreas Metropolitanas -, já outros, de menor amplitude, poderiam ocorrer perfeitamente em outras cidades/regiões, com os apoios indispensáveis, claro. São, assim, defensáveis algumas apostas feitas na região. Mas outras podem ser concretizadas. Porque infraestruturas já vão existindo e as Universidades e Politécnicos têm-se mostrado capazes de, também nos domínios da inovação e tecnologia, se afirmar e tornarem-se centros de excelência e fatores de desenvolvimento.

Estes 10 anos serão, certamente, muito produtivos para Lisboa. Poderão sê-lo também para outras regiões.

E é por isso que a inovação tecnológica que chegou à região no final do século XIX e início do século XX, corporizada pelos caminhos-de-ferro, não pode continuar a ser menosprezada e posta de parte. A ideia da revitalização da linha do Douro deve merecer maior atenção por parte dos decisores das políticas nacionais. Tenho acompanhado a atenção que alguns deputados têm dedicado a este problema. Sei que pessoas qualificadas na área dos transportes nunca concordaram com o encerramento do troço Pocinho – Barca de Alva. Reconhece-se a importância crescente da ferrovia, quer por razões económicas, quer ambientais. Não se compreende, assim, o conteúdo da notícia do jornal Público de hoje, dia 7. Ainda menos se compreenderá, quando se toma conhecimento de estudos nacionais que evidenciam as potencialidades da Linha do Douro.

10 Anos é muito tempo. Até pode ser pouco. Se o Portugal 2020 não foi bem direcionado, que se aproveitem bem os 10 anos do Portugal 2030 que aí vem. Para beneficiar o todo nacional.

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