As remunerações e pensões escandalosas dos gestores de algumas fundações e IPSS
De vez em quando, deparamo-nos com artigos de opinião subscritos por personalidades de relevo da nossa vida pública, sobre instituições de solidariedade social, que causam alguma estranheza e estupefação pela forma laudatória como são redigidos.
No seu conteúdo enfatiza-se a função social praticada, enumerando uma série de casos concretos, mas omitem-se as remunerações e pensões principescas usufruídas pelos elementos dos respetivos órgãos sociais.
A propósito desta premissa, trago à colação o recente artigo da autoria do antigo conselheiro da revolução, Vasco Lourenço, que na edição do Público do passado dia 8 de setembro, tece os mais rasgados elogios à Fundação Montepio Geral e em particular à gestão de Tomás Correia, seu atual presidente.
Ora, no referido periódico, na edição de 27 do mesmo mês, numa reportagem assinada pela jornalista Cristina Ferreira, tomámos conhecimento das mordomias escandalosas atribuídas a todos os elementos dos seus órgãos de gestão, que deviam causar a maior indignação e repúdio a todos quantos se preocupam com os baixos salários praticados em Portugal.
Reportando-nos ao que aí vem relatado, verificamos que o aludido Tomás Correia recebeu, em 2017, 30 mil euros de vencimento mensal, quase tanto como o auferido pelo presidente da CGD (30,2 mil euros), tendo os quatro vogais que integram a sua administração recebido, cada um, 24 mil euros, mais do que os sete vogais da Caixa Geral de Depósitos, a quem foram abonados 23,2 mil euros.
Estamos a comparar os custos em vencimentos de duas organizações com estatutos diferentes e que perseguem fins diversos. Uma dedicada ao mutualismo e outra ao negócio da banca.
Mas não ficamos por aqui. As próprias regras de aposentação praticadas no Montepio Geral, em relação aos elementos que integram os seus órgãos sociais, são tão escandalosas e aviltantes, quando comparadas com as restrições impostas pelos sucessivos governos ao cidadão em geral, que convidam à revolta do mais pacífico dos portugueses.
Vejamos os casos concretos de dois antigos administradores que se aposentaram dessa nobre instituição, depois de alguns anos com assento no seu conselho de administração. Um com 18 anos de serviço (1988 a 2003), e outro com 15 anos (1991 a 2006), usufruindo, ambos, pensões no valor de 302,4 e de 252 mil euros anuais, respetivamente.
Numa altura em que o Governo se prepara para agravar as penalizações para as reformas antecipadas, não deixa de ser paradoxal a situação descrita, pelo que ela contém de imoralidade e afronta à generalidade dos subscritores, quer da Segurança Social quer da Caixa Geral de Aposentações.
Ao confrontarmo-nos com tais elogios, ao trabalho de alguém que tem beneficiado de privilégios inaceitáveis ao serviço de uma instituição de caráter social e filantropo, é caso para perguntar: onde está a coerência destes senhores?

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