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Glórias do Basquetebol recordaram os “outros tempos”

Presidente da ABVR fez um retrato da modalidade no distrito e acredita que há motivos para continuar a apostar no basquetebol, lamentando a falta de espaços desportivos para a prática deste desporto.


Foi num ambiente de grande descontração e alegria que um grupo de vila-realenses se juntou para reviver e recordar outros tempos, em que os jovens viviam com grande paixão esta modalidade desportiva.

Um dos organizadores da iniciativa, Sebastião Mota, que foi jogador e treinador, recordou à VTM como surgiu o basquetebol em Vila Real, na década de 70. “A modalidade já tem muitos cabelos brancos”, diz entre risos, acrescentando que o Grupo Desportivo do Bairro Latino foi o primeiro clube de Trás-os-Montes e Alto Douro a ter basquetebol federado. “Um grupo de jovens do Liceu Camilo Castelo Branco foi bater à porta do clube, que nos recebeu muito bem. Foi a partir daí que fomos jogar para o Bairro Latino, que na altura estava em expansão com várias modalidades”.

Este ex-jogador recorda outros tempos, em que apenas jogavam por amor à camisola, não faltando a nenhum treino. “Não havia internet e víamos no desporto uma alternativa para nos divertir com os amigos. Muitos vinham de Abambres e arredores da cidade a pé só para treinar, fizesse chuva ou sol. Imagine o frio que apanhávamos em janeiro”.

“Claro que foram tempos muito bons, as saudades são evidentes”, sublinha Sebastião Mota, que reviu amigos que não via há mais de 40 anos. “Estão aqui ‘jovens’ que não se viam desde essa altura. O grupo está muito animado e feliz por este reencontro, em que falamos um pouco das novas experiências de vida, do nosso trajeto, mas sobretudo foi bom para recordar com muito prazer o passado”.

Outro ex-jogador, Jaime Coimbra, relembra a união que existia no seio do grupo, que começou a lançar os primeiros cestos no Ciclo Preparatório. “Foram anos de bons momentos e grandes amizades que se fizeram para a vida”.

A iniciativa realizou-se pela segunda vez e promete regressar no próximo ano. “É para continuar e para o ano esperamos ter cá mais gente, que faz parte da história da modalidade em Vila Real”.

ABVR TEM MAIS DE 400 ATLETAS

Os tempos são outros, mas ainda há lacunas a colmatar, como a melhoria das infraestruturas para a prática da modalidade, como nos referiu o presidente da Associação de Basquetebol de Vila Real (ABVR), José Vilela. “Precisávamos de um novo pavilhão. Quando se faz um pavilhão, já estamos a precisar de dois ou três, até porque as outras modalidades também têm vindo a crescer e por isso faltam espaços”.

Outro problema abordado por José Vilela tem a ver com as dificuldades financeiras dos clubes, que por vezes têm deslocações longas. “Não é fácil fazer deslocações de mais de 100 quilómetros, quando os apoios e patrocínios são poucos, até porque estamos numa região onde há poucas empresas”, revelou, adiantando que há ainda falta de treinadores, árbitros. “Apesar de fazermos todos os anos cursos de treinadores e árbitros, sofremos de outro mal quando os nossos atletas fazem 18 anos vão-se embora estudar para outras cidades”.

Mesmo assim, o presidente mostra-se confiante no futuro da modalidade. “Temos vindo a crescer em número de atletas. Na época passada chegamos aos 400 atletas, este ano esperamos ultrapassar esse número”. Além disso, “temos vindo a subir também na qualidade, como provam os resultados das nossas equipas”.

A provar que o basquetebol continua bem vivo, José Vilela frisa também as chamadas de jogadores aos trabalhos da seleção e outros que acabam mesmo a representar a seleção nacional. “Acho que estamos no bom caminho e vamos continuar a trabalhar”.

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