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Filme sobre eremitas distinguido pela Direção Geral da Educação

O filme documental “… além da sala de espera”, que retrata a vida de dois eremitas alemães a viverem em Trás-os-Montes, vai integrar, este ano letivo, o Plano Nacional de Cinema.


O documentário da autoria do realizador José Paulo Santos, filmado em 2013, serve agora de material educativo ou pedagógico para o ensino secundário de todo o país. Esta decisão coube à Direção-Geral da Educação (DGE) que, em conjunto com o Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) e a Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema, classificaram o filme como fundamental para “promover a divulgação do património cinematográfico nacional e mundial aos alunos”, contribuindo, deste modo, “para a formação alargada de público e para o aumento do gosto pelo cinema junto das crianças e dos jovens portugueses”.

O documentário, com cerca de 30 minutos, dá a conhecer o dia a dia de um casal alemão que abdicou de uma vida materialista, na cidade. Maria Feliz e Feliz foram estes os nomes portugueses que adotaram, vivem numa aldeia do concelho de Vila Real, em Torgueda.

O filme, com um forte caráter filosófico, mostra a vida de duas pessoas que se dedicam a viver com aquilo que a natureza proporciona. Feliz e Maria Feliz recorrem a todos os mecanismos de trabalhos artesanais não só para fazer a sua comida, mas também para todas as lidas da casa. Maria amassa o pão, lava a roupa com óleos e perfumes feitos por si e em casa vivem à luz das velas. Feliz autodenomina-se como sendo um eremita, um pensador ou um filósofo, já a sua esposa é uma autodidata na ciência das plantas e na medicina antiga. Ambos deixaram a República Democrática Alemã, descontentes com o regime, e vieram viver para Portugal há cerca de 30 anos, onde escolheram dedicarem-se à eremitagem.

Deste modo, antes de ter escolhido Vila Real, o casal viveu, ainda, em Vilar de Mouros, na região do Minho, na qual a Maria aprofundou o seu conhecimento, bem como o seu interesse pela medicina tradicional, tendo, em 1993, se tornado uma das palestrantes mais assíduas do conhecido Congresso de Medicina Popular de Vilar de Perdizes, em Montalegre.

À VTM, José Paulo Santos conta que a ideia de fazer este filme surgiu aquando trabalhava, como realizador, para uma estação de televisão, na qual teve a oportunidade de conhecer este casal e de fazer uma reportagem. Contudo, uma reportagem seria pouco para dar a conhecer Maria e Feliz, pelo que decidiu fazer um filme documental.

“Sempre achei que a sua história era muito interessante, em que uma reportagem não seria suficiente para a relatar na íntegra, por isso pensei em voltar lá um dia para fazer um trabalho mais aprofundado para conseguir este filme documental”, adiantou, acrescentando que fazia “todo o sentido mostrar às pessoas, uma vez que vivíamos em tempos de crise, que alguém conseguia viver bem sem dinheiro, de uma forma auto-sustentada”.

Quanto à experiência, este realizador confessa que, depois das filmagens, também ele cresceu enquanto pessoa. “A forma deles viverem é diferente e contagiante. São pessoas com muito conhecimento e que pensam fora da caixa, vendo o mundo com outros olhos”.

Neste sentido, o filme “...além da sala de espera” passou a integrar a Lista Geral de Filmes do PNC 2018-2019.

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