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Coletivo de teatro pretende quebrar tabus

Com o objetivo de dar a conhecer uma nova abordagem e uma forma de representar mais contemporânea, no que toca ao universo performativo, um conjunto de amigos com fortes ligações transmontanas deu início a um novo coletivo artístico, o TEN – Teatro Experimental do Nordeste.


Criado, recentemente, em Vila Real, depois de diversas tertúlias e debates em torno da estética teatral, o TEN procura “trazer uma linha de teatro diferente da que tem sido desenvolvida, com uma abordagem pós-moderna” no que diz respeito a assuntos complexos e realistas da sociedade atual.

À VTM, João Cardoso, um dos intérpretes do coletivo, explicou que o grupo nasceu como “uma necessidade” de fazer algo não apenas pelo teatro, mas também por toda a cultura, referindo que surge para transmitir a vontade de “aproximar as pessoas” do espetáculo, estimulando sentimentos e emoções diferentes.

“A maioria do pessoal já tinha alguma ligação ao teatro e às artes performativas e, depois de muitas cumplicidades partilhadas, surgiu este desejo ou mesmo necessidade de fazer algo pela nossa cultura”, apontou, acrescentando que é objetivo do grupo inovar “quer seja pela estética com que nos vamos apresentar, quer seja pela atitude que vamos ter em palco”.

Já Rosa Monteiro conta que a sua paixão pelo teatro há muito que existe, desde o tempo da faculdade, pelo que não teve dúvidas em aceitar este projeto. A viver em Vila Real desde 2003, Rosa acredita que o TEN vai acrescentar valor a toda a região, embora acredite que esta arte tem sido alvo de mais atenção e crescido nos últimos anos.

“O teatro de Vila Real, sobretudo, tem feito um trabalho notável na promoção e na valorização da cultura. Tem trazido inúmeras peças e espetáculos multidisciplinares que procuram perspetivas diferentes e alternativas, o que demonstram um crescimento cultural da cidade”, adiantou.

Partilhando da mesma ideia, Vítor Martins, também elemento do grupo, acrescentou que é seu objetivo “revolucionar o teatro, desconstruindo um pouco algumas imagens que as pessoas têm das relações humanas”, sendo, nesse sentido, que a primeira obra do TEN irá assentar.

Esta chama-se “Pas de Deux” e surge como adaptação profunda da obra “Nada de Dois”, de Pedro Mexia, e tem a sua estreia marcada para o dia 28 de dezembro, no Teatro Municipal, com encenação de Alexandre Sampaio, diretor artístico do projeto. “Pas de Deux” procura “analisar relações conjugais que percorrem os nossos dias, sob um discurso rápido, intenso, e portador de um humor que oscila entre a ternura do romantismo e o chicote implacável do ciúme. Por outro lado, e em tempos de forte questionamento de papéis sociais, alimentam também a reflexão sobre a ideia de homem e de mulher que ainda somos ou aspiramos”.

Esta peça terá a duração de. aproximadamente. 60 minutos e tem a classificação etária para maiores de 16 anos, estando em representação durante dois dias, 28 e 29 de dezembro.

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