Agostinho Chaves

EDITORIAL

Horror à Luz

Aconteceu que um automóvel, mais uma vez, avançou em vez de fazer a curva numa rotunda da Estrada Nacional 2, no lugar de Ferreirinho (na “Reta de Vila Pouca”, como é conhecida).


Mais uma vez, a viatura passou por cima do canteiro central da rotunda, derrubando (uma vez mais!) as placas de sinalização que lá havia e ficando num mísero estado. São muitas as incidências deste tipo que ali acontecem. As razões são variadas e bem conhecidas. Uma delas é a falta de iluminação capaz que cria confusão a muitos, sobretudo em noites (e madrugadas) de nevoeiro, como foi o caso. Com este, os condutores só muito tardiamente se apercebem do obstáculo que a rotunda é, batendo-lhe fragorosamente e invadindo a placa central.

Não se entende este “horror à luz” que as instâncias responsáveis pela segurança nas vias rodoviárias possuem. Há poucos anos, fruto da crise, da austeridade, da seca, da necessidade de poupança de energia, toda a gente desatou a desligar as luzes das casas, das montras, das fontes, das vias públicas. Incluindo as autarquias. Houve um ano em que a época de natal passou sem os primores luminosos do costume. Depois da crise, a situação mudou. Menos nas estradas. Apagaram-se as luzes para sempre. Tal como os impostos e os preços: quando uma medida excecional surge nunca mais retrocede e a exceção vira regra.

Tem andado a gastar as suas energias o presidente Rui Santos, da Câmara Municipal de Vila Real, chamando a atenção para o que acontece. Outros presidentes também gastam a saliva toda por esse mesmo motivo. A verdade é que as entidades que ordenaram o fecho das luzes não ouvem agora aqueles que lhes chamam a atenção para o perigo que o escuro constitui. É o habitual, já que fizeram o mesmo quanto à sujeira das valetas. Tão-pouco veem os placares situados à beira das vias.

Acrescento ao perigo da escuridão nas autoestradas (A4, A24, A7) a EN2, onde os automóveis estão a ser “empurrados” para diante, nas rotundas. O preto da escuridão também é a cor da morte. Quem apaga a luz fica culpado por tal negligência.

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