António Martinho

Apostar no Geoturismo, uma boa opção

Deixou de se abordar esta temática no Douro, mas a verdade é que o geoturismo tem vindo a fazer o seu caminho. Aliás, com reconhecido proveito para as regiões que pegaram neste conceito e o desenvolveram.


Sabe-se que a National Geographic Society (NGS) desenvolveu na região um muito interessante trabalho nesse domínio. Primeiro, com a Estrutura de Missão do Douro; depois, com a Entidade Regional de Turismo do Douro até que a sanha destruidora dos que imperavam nos anos 2012-2013 extinguiu a primeira e integrou a segunda numa Entidade, distante daqui umas largas dezenas de quilómetros. O trabalho deu alguns frutos, que perduram. Aproveitou bem o Geoparque de Arouca e veio depois a constituir-se o Geoparque Terras de Cavaleiros.

Agora, que foi lançada a ideia da criação do Geoparque Marão-Alvão, ocorreu-me revisitar alguns escritos sobre as virtualidades do Geoturismo, na aceção da NGS - «o turismo que mantém ou aprimora o carácter geográfico de um lugar: o seu ambiente, cultura, estética, património e o bem-estar dos seus habitantes». Atenção, que o geoturismo vai para além de uma simples viagem de quem passa, perscrutando a riqueza da “geo”- terra. De acordo com os documentos daquela organização e dos seus “experts”, ele “envolve as comunidades locais na oferta que é disponibilizada ao visitante, garantindo uma experiência autêntica e enriquecedora, familiariza os turistas com a cultura local e oferece em profundidade oportunidades de apreciar a beleza natural e biodiversidade únicas da região”. Sempre presente a comunidade, a sua relação com o sítio e, naturalmente, com os que o visitam, fruindo a sua beleza, ou investigando as suas marcas identitárias, globalmente consideradas.

Que razões, pois, nos levam a concluir ser esta opção uma boa aposta na valorização do território?

O conteúdo da noção apresentada é, por si, elucidativa. Mas se consultarmos documentos recentes sobre o turismo e as opções a levar a cabo nos próximos anos, as suas virtualidades são ainda mais evidentes. Uma leitura da Estratégia Turismo 2027 clarifica o que se diz. Quando se “afirma o turismo como pivô para o desenvolvimento económico, social e ambiental em todo o território” e se considera, em 1º lugar, Portugal, destino sustentável, explicita-se «onde o desenvolvimento turístico assenta na conservação e na valorização do património natural e cultural identitário e contribui para a permanência e a melhoria da qualidade de vida da comunidade local”. Natureza e Cultura, de mãos dadas.

Ora, sendo o Marão-Alvão, juntamente com o Montemuro, os guardiões do Douro face aos ventos húmidos do Atlântico, tendo-se aqui formado um dos Sítios que a UNESCO classificou como Património da Humanidade, há toda a vantagem, estou convicto em valorizar a riqueza natural daquelas serras, já que também às suas comunidades, juntamente com as durienses, se deve a paisagem cultural que o Douro é e que se foi criando através dos séculos.

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