Victor Pereira

São Óscar Romero

No dia 14 de outubro, a Igreja Católica canonizou mais sete santos. Destaco o arcebispo de São Salvador, D. Óscar Romero, considerado um mártir pela Igreja, vítima do ódio à fé cristã.


Quando foi nomeado arcebispo da capital, El Salvador estava a viver um período conturbado e agitado. No poder estava um governo autoritário e repressivo. Os direitos humanos estavam a ser fortemente violados. Profundamente marcado pela morte do seu amigo padre Rutilio e dois camponeses, pelas atrocidades cometidas contra os mais fracos e os mais pobres e confrontado com uma chocante matança de padres e catequistas, D. Óscar Romero sentiu um veemente apelo a levantar a voz em defesa do povo oprimido, denunciando os abusos e as graves injustiças que estavam a ser cometidas. Tornou-se «a voz dos sem voz». Clamou pelo fim da opressão e da violência, a construção da justiça social, o respeito pelos direitos humanos e pelos direitos do povo e a instauração da democracia. 

No fatídico dia 24 de março de 1980, enquanto celebrava a missa numa Igreja de São Salvador, foi assassinado por um atirador de elite do exército salvadorenho, instalado num carro no exterior da Igreja, carro que simulava uma avaria. Um projétil de alto calibre, de fragmentação, atinge o peito de D. Óscar Romero, provocando-lhe uma hemorragia inestancável e ferimentos profundos em vários órgãos do corpo. Não havia salvação possível. No dia do seu funeral, seis dias depois, Domingo de Ramos, acontece mais um massacre hediondo: morrem 41 pessoas. Iniciou-se definitivamente uma guerra civil em grandes dimensões, guerra que chegará ao fim com a assinatura de um acordo de paz em 1992, com um rasto de 80 mil mortos, 9 mil desaparecidos, 1 milhão de desalojados e 1 milhão de exilados. 

Foi acusado de ser marxista. Mas foi uma pérfida avaliação. Nunca D. Óscar Romero manifestou qualquer colagem a partidos políticos ou simpatia por ideologias. A sua causa e a razão da sua conduta foi o Evangelho, os direitos humanos, o elementar respeito pela dignidade humana, a paz, a justiça, a democracia, o bem-estar humano, social e espiritual do seu povo. Foi um homem de Deus e da Igreja, agindo unicamente por fidelidade à sua fé em Jesus Cristo e aos seus valores e princípios. É um exemplo e uma referência para todos os cristãos.  

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