Armando Moreira

MIRADOURO

Floresta no Marão

1 - Recorrentemente voltamos ao tema da floresta, por estarmos convencidos que ela continua a ser uma das formas de dar alguma vida a este desertificado e despovoado interior, uma vez que a pobre agricultura tradicional terá muitas dificuldades, de nos tempos mais próximos, ser uma atividade rentável e lucrativa, tendo em conta até a fragmentação fundiária em parcelas de ínfima dimensão.


E visto que não é expectável que ocorra, a curto prazo, nenhuma lei das sesmarias, que propicie o emparcelamento e que viabilize a constituição de propriedades minimamente rentáveis, pensamos que será a reflorestação das vastas áreas de baldio (mais de 75% do território de Trás-os-Montes e Beiras) e dos terrenos privados adjacentes, a ter a prioridade na reconquista do tecido arbóreo com valor económico.
 Ocorre-nos sempre que passamos pelas encostas do Marão, hoje atravessado na parte central pela A4 e pelo IP4, ao ver o ressurgimento arbóreo espontâneo, após os incêndios que o devastam regularmente, como seria oportuno lançar de imediato um plano de aproveitamento dos milhões de árvores (pinheiro) que se esforçam por sobreviver entre o mato de tojos e giestas.
Com os meios e máquinas de que hoje se dispõe, nem sequer ficaria muito oneroso, encetar esta operação de recuperação florestal. É que, a não se tomar nenhuma medida de imediato, o que se pode esperar é que, mais ano menos ano, vamos assistir de novo ao regresso das chamas que voltarão a reduzir a cinzas, tantas centenas de hectares.
É evidente que o que vale para o Marão que aqui referimos exemplificativamente, vale para todas as outras zonas montanhosas, que vão desde o Minho até à fronteira em Quintanilha, Miranda do Douro ou Guarda.
Será que as Comunidades Intermunicipais, não poderiam debruçar-se sobre esta tarefa agora que a descentralização administrativa aponta para a devolução de novas competências?
Aqui deixamos a nossa sugestão.

2  - A propósito da Floresta, permitimo-nos uma breve nota, no falecimento do Eng. Eugénio Varejão, ocorrida há escassos dias. 
O Eng. Varejão dedicou toda a sua vida aos Serviços Florestais. Conhecemo-lo quando se iniciava, sob responsabilidade sua, a florestação das Serras da Samardã, da Padrela e do Alvão.
Era um apaixonado pela Floresta, que semeou e tratou tão bem no Município de Vila Real. Deve ter lastimado como nós, o desmantelamento dos Serviços que ele e outros técnicos ajudaram a crescer e a fomentar riqueza.
Muito obrigado Eng. Varejão. A sua memória, permanecerá entre nós, como um Senhor da Floresta.

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