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Cimeira Ibérica contestada por esquecer ligação Bragança-León

O Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) León-Bragança criticou hoje as conclusões da Cimeira Ibérica de Valladolid por ausência de referência por parte dos Governos de Portugal e Espanha à reivindicada ligação rodoviária entre as duas cidades.


Há quase duas décadas que autarcas e eleitos regionais dos dois lados da fronteira reclamam a construção de uma autoestrada para encurtar os atuais 200 quilómetros que separam as cidades de Bragança, em Portugal, e León, em Espanha.

A reivindicação deu hoje origem a mais uma posição conjunta, durante a Assembleia Geral do AECT, que decorreu em Bragança, e na qual ficou expresso o “descontentamento e preocupação” por ter ficado fora da agenda da Cimeira Ibérica, que juntou os chefes de governo dos países, a 21 de novembro, justamente na região espanhola que faz parte do território da ambicionada estrada.

O AECT aprovou “uma posição relativa às conclusões da Cimeira Ibérica no que tem a ver com a ligação Bragança-León, no sentido de manifestar a preocupação e o descontentamento para com esta situação, uma vez que esta ligação não foi sequer referenciada naquilo que foram as conclusões da Cimeira Ibérica”, resumiu o presidente da Câmara de Bragança, Hernâni Dias.

“Com grande preocupação nossa uma vez que tem vindo a ser uma infraestrutura rodoviária reivindicada desde há muito tempo e, numa altura em que se fez uma Cimeira Ibérica no território, teria toda a lógica, e obviamente que seria do nosso agrado, que pudesse ter havido aqui um referência no sentido de se poder avançar para a construção desta infraestrutura”, vincou.

A posição tomada vai no sentido de “solicitar ao Governo português e ao Governo espanhol que possa ser trabalhado este tema conjuntamente com a junta de Castela e Leão para que esta infraestrutura seja concretizada com vista ao processo de desenvolvimento dos dois territórios”.

O presidente da Diputación de León, Martínez Majo, realçou que esta declaração institucional foi o aspeto mais importante desta reunião e para o futuro de ambos os territórios.

Também a região espanhola defende que esta estrada “é necessária” e a posição conjunta seguirá para todos os agentes regionais e institucionais, assim como para os governos dos dois países.

Esta autoestrada incluiria a ambicionada ligação de Bragança a Espanha, através de Puebla de Sanábria, que tem esbarrado em entraves ambientais por atravessar o Parque Natural de Montesinho do lado português.

Os representantes do AECT León-Bragança garantem que reduziria em “70 quilómetros” a distância entre as duas cidades, a contar já com o túnel do Marão aberto no lado português.

As vantagens apontadas focam-se sobretudo no transporte de mercadorias, nomeadamente entre o porto de Leixões (Matosinhos), no litoral Norte de Portugal, e os portos no norte de Espanha.

O AECT ainda não tem estimativas de valores nem de traçados para esta autoestrada que seria uma alternativa à ligação mais a sul na fronteira de Quintanilha (Bragança), por onde passam atualmente o trânsito do litoral norte português em direção ao norte da Europa e vice-versa.

Na Cimeira Ibérica foi anunciada a construção da autoestrada nos cerca de 80 quilómetros entre Quintanilha, em Portugal, e Zamora, em Espanha, o único troço ainda sem perfil de autoestrada nesta zona fronteiriça.

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