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Ministro aponta início de 2019 para conclusão do processo de mobilidade no Tua

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro, Marques, adiantou hoje, em Bragança, que no início de 2019 o processo da mobilidade no Vale do Tua, em Trás-os-Montes, deve estar desbloqueado.


Há dois anos que o comboio e os barcos do novo plano de mobilidade aguardam luz verde para poder arrancar o projeto de compensação da barragem de Foz Tua pela perda da centenária linha do Tua, parte da qual ficou submersa e a restante integrada nas novas atrações desta zona.

A exploração turística foi entregue, junto com dez milhões de euros da EDP, ao empresário dos passeios no Douro, Mário Ferreira, e inclui o regresso do comboio com uma vertente turística e também de transporte para população, mas o processo está bloqueado nas questões de legislação e segurança da operação.

O ministro da tutela afirmou hoje, em Bragança, à margem da cerimónia do anúncio do concurso para a nova concessão da carreira aérea Bragança-Portimão, que tem a “expectativa” de que “no início do ano de 2019 essa situação esteja desbloqueada”

“Ela é complexa, é preciso assegurar condições de segurança muito fortes no serviço ferroviário que venha a ser estabelecido e, para isso, são precisos investimentos muito pesados”, indicou, acrescentando que esta fase do processo “é um bocadinho mais complexa do que aquilo que é o investimento que já foi realizado até agora”.

“De qualquer modo continuamos a trabalhar na expectativa de que agora no início do ano de 2019 esse dossier possa estar salvaguardado, sendo certo que a CP tem procurado assegurar as suas responsabilidades”, acrescentou, referindo-se aos transportes alternativos à linha do Tua.

As diferentes entidades envolvidas chegaram a acordo sobre o papel de cada uma, neste processo, em março de 2018.

A Infraestruturas de Portugal (IP) concessiona à Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Tua (ADRVT) o troço da linha entre Brunheda e a Estação Ferroviária de Mirandela-Carvalhais, incluindo a infraestrutura de via, infraestrutura de obras de arte, superestrutura de via, passagens de nível e cais de embarque.

O troço de cerca de 30 quilómetros é o que resta da desativada ferrovia centenária que deixou de fazer a ligação ao Tua, com o novo plano a prever passeios de barco entre este ponto e a Brunheda, a extensão da nova albufeira.

Segundo o acordado entre as partes, a agência “obriga-se a assegurar, por si ou através de terceiro, o transporte de passageiros no âmbito do sistema de mobilidade turística e quotidiana do vale do rio Tua”.

Foi ainda estabelecido um acordo entre a CP, a IP e a ADRVT para regulamentar os termos em que o serviço de transporte de passageiros é assegurado, com qualidade e em segurança.

Depois de meses a discutir quem ficaria responsável pela linha, ficou acordado que a agência será a gestora da linha, o Governo assumirá o financiamento da manutenção e a (IP), que continua a ser a proprietária, assumirá a parte técnica, nomeadamente relativamente às obras de arte.

Além dos testes de segurança ao material circulante, o processo implica ainda outras intervenções ao longo do canal da linha, como a retirada de blocos que ameaçam queda nas encostas do Tua e a prevenção de futuros deslizamentos.

Estes trabalhos contemplam a instalação de equipamento informático, através de fibra ótica, “para detetar o movimento de blocos ao longo dos taludes”, além de drenagens e reabilitação dos carris entre o Cachão e Mirandela.

A EDP já disponibilizou “3,5 a 3,7 milhões de euros para estes trabalhos”.

Falta também ainda saber de que forma será assegurada, neste projeto, a mobilidade às populações ribeirinhas do rio Tua, já que não será feita no comboio turístico e é uma condição imposta como contrapartida pela construção da barragem.

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