Agostinho Chaves

EDITORIAL

Prosperidade

Em cada novo ano, renovamos os nossos propósitos de sermos bons, tolerantes, amigos, contribuindo para as mais-valias do mundo, especialmente daquele que mais diretamente nos diz respeito e que nos cerca mais de perto.


Fórmula antiga, o “próspero ano novo” é um desejo de destaque para a pessoa a quem nos dirigimos, sendo certo, no entanto, que há muitas interpretações para tal expressão: o que é, em rigor, um próspero ano novo?

Na sociedade atual, a prosperidade é sinónimo de aumento de bens materiais, sobreposição aos outros, com a procura de um patamar que nos distinga da mediania (da maioria). Prosperidade será ter, acumular, ganhar mais, consumir, usufruir, ostentar, deslocar-se em passadeiras vermelhas, subir as escadas do poder, ser ministro, porque não? (estão lá tantos sem nível, piores do que nós …). E assim acabamos por professar o que, nas recomendações sociais religiosas do Cristianismo, são tidos como “pecados capitais”. No entanto, a prosperidade agora é muito mais do que isso: já não tem a ver só com os haveres próprios. Tem a ver com as relações de cada um de nós com os outros, com os animais, com a Natureza, com os rios e os mares, com a pureza dos ares e com a terra sagrada de que tudo sai, germina e se desenvolve. Sobretudo, terá a ver com os sentimentos de afeto face às outras pessoas.

Numa das nossas próximas edições, publicaremos um trabalho baseado numa recolha que durou todo o ano de 2018, com os casos de violência doméstica que conduziram à morte. São muitos, excessivos, revelando que, na prática, os factos negam os bons propósitos e os desejos de prosperidade.

Não haverá prosperidade onde a morte violenta campear. Nâo haverá prosperidade enquando os números e as estatísticas da violência doméstica crescerem. Não haverá prosperidade onde e quando as pessoas não se entendam.

Por isso, desejamos um feliz e próspero ano novo. Para todos.

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