Agostinho Chaves

EDITORIAL

Propostas

Algumas propostas de assuntos para escrever um editorial em forma de dúvida mais ou menos metódica.


A Comissão Nacional de Eleições propôs que as autarquias não possam fazer publicidade às obras que pensem levar a cabo até às eleições. Pergunta-se: porque é que o Governo pode fazer aquilo que às autarquias é negado? Basta ver os telejornais televisivos…

Ferro Rodrigues disse que “a regionalização é fundamental para a sobrevivência da democracia” (sim, ele disse “sobrevivência”). Então porque é que a AR a que preside não aposta na implementação da regionalização e não investe na democracia?

À proposta de prender (sim, eles disseram “prender”) os políticos que não entreguem as suas declarações de rendimentos, o presidente da “Transparência e Integridade Associação Cívica” considera que essa proposta “não passa de fogo-de-vista, em ano eleitoral”. A Proteção Civil estará preparada para o perigo de fogo posto?

A Ministra da Justiça veio dizer-nos que “o atual modelo de trabalho nos tribunais, com quantidades imensas de papel e burocracias redundantes ou inúteis” (sim, ela disse “inúteis”) corresponde a “métodos de princípio do século passado”. Apetece perguntar porque é que a ministra não faz propostas para o mudar - e se aplicassem o tão decantado “Simplex”?

Segundo a Administração Regional de Saúde do Norte, 2,2 milhões de utentes que se apresentaram, em 2018, nas urgências hospitalares não constituíam casos de urgência verdadeira, pelo que se está a pensar agora (sim, a associação disse “agora”) que esses utentes sejam encaminhados para os centros de saúde e não para os hospitais centrais. Saberá Constantino Sakellariades (que fez o estudo sobre isso) que Correia de Campos, ex-ministro do governo de José Sócrates, decidiu precisamente o contrário e que ainda hoje milhares de doentes têm de ser enviados à urgência de um hospital central para ser tratado, por exemplo, à picada de uma abelha?

Um grupo de deputados da Assembleia da República veio a Pedras Salgadas verificar em que estado se encontra o PIN da Aquanattur. Depois de terem feito a verificação, almoçaram cordatamente com autarcas e convidados numa boa unidade de alojamento. E o que ficou? “Esperança renovada” – disse um jornal local. Alguém me responda: esperança renovada em quê e porquê?

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