Agostinho Chaves

EDITORIAL

CORREOS, SI, HOMBRE!

Que os correios em Portugal deixaram de desempenhar a sua função tradicional que envolvia também um caráter de cariz social já o sabíamos há muito.


Certo é que os novos tempos, os novos sistemas de informação, as novas tecnologias de comunicação, as novas engenharias de transmissão de mensagens, as novas exigências da massa utilizadora, sobretudo o comércio eletrónico, as ligações rápidas a países estrangeiros ou mesmo dentro do mesmo bairro, da mesma rua, da mesma casa teriam de alterar enormemente essa forma de estar que se tornou corriqueira até aos anos noventa do século passado.

Compreendemos. Muitos, porém, mantêm que os correios, ao aderirem aos novos meios, deveriam também manter e aperfeiçoar o sistema tradicional de produzir e distribuir as mensagens, os pequenos volumes, as encomendas das mais simples às especiais... Afinal, o meio-papel ainda não foi extinto e há regiões (tão importantes como as outras) onde as ligações audiovisuais (muito menos as que são desenvolvidas “on line”) ainda não funcionam (sim, sabemos todos que já estamos no século XXI).

A própria estrutura dos CTT mudou. Para além das questiúnculas ideológicas, de privatização ou nacionalização, do fecho de estações e dispensa de funcionários, de vendas aos balcões ou pela internet, de serviços pouco lucrativos mas de conforto social (pensões aos reformados, circulares aos contribuintes, pagamento de despesas triviais), os correios acertaram os seus passos pelas ações financeiras, de capitalização de resultados.

Os CTT tornaram-se uma entidade bancária, descartando essas funções para terceiros, desde contribuintes singulares a autarquias. Instalou serviços em sítios menos ortodoxos (mercearias, livrarias, supermercados, cafés e quiosques) para dar aso a que os melhores edifícios, nos melhores sítios, possam ser unidades do Banco CTT.

Os espanhóis estão a descobrir uma nova oportunidade: vão entrar por aí, fazendo o que nós não sabemos nem queremos saber fazer. E tirando proveito de uma atividade que em Portugal descambou.

Que seja para melhoria das nossas escolhas!

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