João Vilela

EDITORIAL

Fantasmas (2)

Na edição anterior este espaço foi dedicado à dívida “fantasma“ de Joe Berardo, que o próprio rejeita em absoluto, esta semana abordamos um fantasma diferente.


Desde há vários anos que todos os governos apregoam a descentralização, embora, na prática, quase nada mude, em particular no que diz respeito ao Interior. 

Este tema vem a propósito de há dias termos recebido um convite do Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património (CEARTE), que está sediado em Coimbra, para estarmos presentes na cerimónia de assinatura de um protocolo de colaboração entre essa instituição e a Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN), que aconteceria na “sede” da DRCN, sita na Praceta da Carreira, em Vila Real.

Alguns dias depois, e um dia antes da cerimónia, recebemos um novo email do CEARTE informando que afinal o local de assinatura do protocolo seria na Casa Allen, Rua António Cardoso nº 175, no Porto. 

Devido a um lapso na redação da VTM, o local não foi atualizado e o Jornalista deslocou-se à “sede” da DRCN, em Vila Real, onde foi informado que não havia qualquer evento naquele local. 

O que acontece é que a “sede” da DRCN está, oficialmente, em Vila Real desde 1994, mas foi perdendo influência e gradualmente foi-se instalando no Porto, mais concretamente na Casa Allen (onde foi assinado o protocolo), que é onde o Diretor “está e onde na realidade se realizam as cerimónias. Ao que apuramos, o Diretor vem muito poucas vezes à dita “sede”. 

Estamos perante uma “sede” fantasma, que de “sede” nada tem, e onde o objetivo descentralizador só funciona como retórica política. Estranha-se que os responsáveis políticos da região permitam que tais situações aconteçam, há vários anos, e que pouco ou nada se faça para inverter esta “sangria” do Interior. Mais, que se permita que andemos todos enganados com esta “formalidade bonita”. 

Sugiro, pois, que assumam a realidade e corrijam a informação da dita “sede” e coloquem a morada oficial: do Porto. 
 

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