João Vilela

EDITORIAL

A vitória da descrença

As eleições Europeias vieram demonstrar, uma vez mais, que os portugueses estão cada vez mais desligados da política.


Segundo os dados oficiais, a abstenção atingiu quase 70%, indicando, desde logo, que em cada dez portugueses, votaram apenas três, ou seja um terço da população. Na região Transmontana e Alto Duriense, o panorama não foi diferente, foram 70,77% os eleitores que não foram às urnas exercer o dever cívico.

Há um dado que tem sido veiculado para justificar o aumento da abstenção nesta eleição, o facto de os emigrantes portugueses passarem a integrar os cadernos eleitorais de forma automática, o que resultou em mais 1,1 milhões recenseados face aos registos de 2014. Mas, mesmo sem este “acréscimo”, a abstenção continua a ter valores elevados, cerca de 65%. Outro dado preocupante é que cerca de 99% dos emigrantes portugueses não foram votar, o que denota o total alheamento dos portugueses emigrados face às questões políticas do seu país. 

Em contraponto, a abstenção em toda a União Europeia, nestas eleições, ficou abaixo dos 50%, pela primeira em 20 anos, o que é uma clara inversão em relação aos últimos atos eleitorais. Em Portugal vamos no sentido oposto. 

Este é um assunto (abstenção) que nos deve preocupar a todos, mas aos políticos, em particular, que deviam fazer uma reflexão alargada sobre tamanho desinteresse dos portugueses nos atos eleitorais. É um sinal claro do descrédito da política e dos políticos na sociedade portuguesa que, lamentavelmente, tem vindo a acentuar-se de forma preocupante. Mas não são os únicos fatores a influenciarem esta tendência, há também que evoluir, a exemplo de outros países, na forma de votar e na utilização das tecnologias para diminuir as distâncias entre os cidadãos e a cidadania.

Muito mais do que discutir temas triviais, este, sim, devia ser um assunto a incluir, seriamente, na agenda política. 

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