Armando Moreira

MIRADOURO

Guardas florestais

No passado dia 29 de maio, ocorreu em Vila Real o designado “Dia do Guarda Florestal”, organizado pela primeira vez a cargo da Guarda Nacional Republicana.


As cerimónias desenrolaram-se na Avenida Carvalho Araújo, ex-libris da cidade, e contaram com a presença do Ministro da Administração Interna e com o Secretário de Estado das Florestas.

Festa grande, portanto, que teve como palco a capital transmontana, tendo estado presentes representantes dos Guardas Florestais de todo o país, bem como militares do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente.

Na circunstância, o ministro Eduardo Cabrita aproveitou para anunciar que havia sido aberto um novo concurso público, para integrar nos quadros mais duas centenas de operacionais, o que vai acrescer aos cerca de 250/300 que já prestam serviço na GNR, para a cobertura do serviço em todo o país.

Dir-se-á que é um número muito limitado de operacionais para a vastidão do nosso território. É um facto. Porém, se analisarmos bem o que podem fazer estes homens, ou mulheres, em floresta desordenada como esta nossa de Trás-os-Montes, com mais de 75 % de terrenos baldios sem caminhos de acesso, em áreas semidesertificadas, sem ordenamento de qualquer espécie, percebemos facilmente que em termos de prevenção de fogos, o resultado de sua presença é pouco mais do que despiciendo. 

Se quisermos voltar a olhar para a floresta como um meio de criar riqueza nestas zonas mais despovoadas e atrair para elas alguma população, há que adotar outras políticas, como de resto nós próprios e muitos outros já sugeriram. 

Foi pena que em período pré-eleitoral o ministro não tivesse aproveitado este dia, para anunciar medidas de fundo, para reverter a situação de abandono a que se votou o território com a extinção dos Serviços Florestais, ocorrida há mais de três décadas. 

Estamos em crer que o modelo centralizado, de então, já não é viável nesta altura. E quando se anunciam tantas tentativas descentralizadoras para as autarquias locais, seria altura de os políticos se comprometerem a entregar a reflorestação do território a quem dele tem capacidade de cuidar. 

Ninguém melhor do que as câmaras e juntas de freguesia, desde que lhe sejam canalizadas as verbas que os fundos comunitários tão prodigamente concedem. A fileira da floresta conduzirá naturalmente ao cluster da madeira, para o qual o nosso país e a nossa região em particular, têm especial vocação. Lembremos o sucesso da Tabopan, que o Comendador Abreu promoveu em Amarante e Vila Pouca de Aguiar, pedindo o esforço, nesta primeira fase, às autarquias locais, agora associadas nas Comunidades Intermunicipais (CIMs), para os passos de gigante que importa dar, passando a fazer todo o sentido reforçar o Corpo de Guardas Florestais, em áreas que efetivamente carecem de serem guardados dos fogos e de outras malfeitorias.

Se não se optar por esta política de reocupação dos solos ao abandono, os Guardas Florestais serão sempre bem-vindos, mas apenas para serviço nos quartéis.

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