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Dois prémios para o Museu do Douro

Museu do Douro recebe dois prémios na APOM - Associação Portuguesa de Museologia 2019: Prémio Estudo sobre Museologia e Prémio Aplicação de Gestão e Multimédia


Duas categorias, dois prémios. O Museu do Douro recebeu o Prémio Estudo sobre Museologia, com a tese de doutoramento de Natália Fauvrelle intitulado “Fazer a paisagem no Alto Douro Vinhateiro / Desafios de um território-museu”, e o Prémio Aplicação de Gestão e Multimédia, com o projeto “Museu do Douro inclusivo”, atribuídos pela Associação Portuguesa de Museologia.

A tese de Natália Fauvrelle, desenvolvida na Faculdade de Letras da Universidade do Porto com uma bolsa de Doutoramento em Empresas, financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e pelo Museu do Douro, assume especial importância porque o tema da “paisagem” não é habitualmente trabalhado pelos museus.

Natália é a responsável pelos serviços de museologia do Museu do Douro e a tese que elaborou foca-se na paisagem do Douro Património Mundial, analisando-a através da perspetiva da gestão que tem vindo a ser feita e que, na sua opinião, não é uma gestão muito patrimonial. “É necessário fazer uma série de melhorias neste modelo de gestão, é necessário alterá-lo, porque não se olha para o Douro como património, mas apenas como uma região que tem que ter um ordenamento do território. E, especialmente, quem faz a gestão do Douro Património Mundial não olha para as pessoas que estão no Douro. A gestão é feita de cima para baixo, quando devia ser feita de baixo para cima”, diz.  

O património, edificado ou não, é gerido por entidades como os museus. E a paisagem nem sempre é apreendida da mesma forma: quem trabalha na paisagem tem uma noção diferente das pessoas que pensam a paisagem de forma intelectual. “Para quem trabalha na terra, a paisagem é o trabalho, é esforço. Não é vista como algo belo. A paisagem é o espaço que habitam, é a vida delas. Mas as pessoas não sentem que aquilo que fazem seja realmente importante. Quando se paga ao trabalhador agrícola o pouco que se paga aqui na região, é óbvio que não se sente valorizado e, por isso, não olha para o seu trabalho como algo extraordinário. Quem faz a gestão não está no território, não sente o território. E esse trabalho tem que ser guiado por aquilo que as pessoas que estão no terreno realmente precisam, até porque continuamos a perder população e continuamos a ter um índice baixo de rendimentos …”, conclui.   

O projeto “Museu do Douro inclusivo”, está em funcionamento desde o final do ano passado, tornando mais acessível e autónoma a visita ao Museu do Douro. Através de uma aplicação multimédia, é possível fazer uma visita áudio-guiada em diferentes idiomas, permitindo uma melhor experiência a um leque abrangente de públicos, incluindo a pessoas com necessidades especiais, através de ferramentas como vídeos em língua gestual, conteúdos em braille e áudio-guias.

Os prémios APOM - Associação Portuguesa de Museologia 2019, têm o Alto Patrocínio do Presidente da República.  

 

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