António Martinho

VISTO DO MARÃO

É moda

A onda está a dar! Acerca disto ou daquilo. Hoje, como ontem, a moda impõe-se. Se fosse com racionalidade…


 Há dias li numa rede social que “estava na moda bater nos serviços públicos”. E questionava se as pessoas que tanta pancada dão no Metro, ou no Serviço Nacional de Saúde, alguma vez usaram aquele meio de transporte, ou teriam recorrido aos serviços públicos da saúde quando doentes. Está na moda; entra-se na onda, e toca a bombar. Muitas vezes, sem qualquer sentido crítico.

Outro tanto acontece na crítica aos políticos. Acompanhe o leitor os programas “Antena Aberta”, ou o “Forum”. E aí encontrará, nuns dias, o miserabilismo lusitano, noutros, uma sucessão de queixumes, noutros, ainda, a ira antipolíticos. Já repararam? Hoje é In criticar o regime, dizer mal do sistema democrático. Até se dá antena a questionar se os votos brancos se deverão traduzir em cadeiras vazias na Assembleia da República. Será que os editores desses programas se apercebem que prestam mau serviço à democracia com certas questões que colocam aos ouvintes? E quantas vezes salta a frase que alguns repetem à exaustão: “são todos iguais”. Serão? O que se pretende com tal axioma.

No passado dia 26 de maio, mesmo com toda aquela abstenção, não seria expectável que se encontrasse motivo acrescido para a elevar. Pois aconteceu um boicote às urnas numa recôndita freguesia de barroso. As razões para tal até poderiam parecer plausíveis. Mas…

Bom! Uma das modas é realçar “a importância de aproveitar os nossos recursos endógenos”. Absolutamente de acordo. Os recursos que são nossos devem ser aproveitados em benefício de todos, desde logo, de nós próprios, dos que são naturais ou residem nas regiões desses ditos recursos endógenos. De vez em quando, enche-se a boca com tal expressão. Porque é moda, ou fica bem.

Recentemente, a região do barroso saltou para as páginas dos jornais, dada a riqueza ali existente, ao que parece, em lítio. Um mineral que nestas coisas da energia limpa para automóveis está a merecer uma especial atenção. Não estranho que os barrosões, para quem a exploração dos seus recursos levou a situações de grande exploração, estejam despertos e muito atentos para que não aconteça como foi nos meados do século passado com as barragens. Daí, a minha concordância com Orlando Alves, presidente do município de Montalegre, que se mostrou muito atento a todas essas questões – conjugar desenvolvimento com sustentabilidade. Uma das componentes é o emprego, convenhamos. Que o aproveitamento do “lítio” também proporcionará. E pela leitura que faço do conteúdo do galardão que Barroso conquistou junto da FAO, o de património agrícola mundial, uma coisa não impede a outra. Aliás, o Governo manterá uma especial atenção a todas essas questões, nomeadamente, às da sustentabilidade. É que desenvolvimento só será isso mesmo, se todos estes parâmetros forem corretamente equacionados. Ora, contestar porque é moda pode ser in, mas não é solução.

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