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Mogadouro investe 300 mil euros em equipamento dedicado à gaita de fole

O município de Mogadouro apresentou ontem um novo equipamento dedicado às gaitas de fole e aos tradicionais gaiteiros do Planalto Mirandês e do país "num espaço vivo e multifacetado" onde foram investidos 300 mil euros.


"Pretendemos homenagear todos os gaiteiros e outros instrumentistas da região e do país, que souberam preservar uma tradição tão ancestral como é o toque da gaita-de-foles, tão característico do folclore e da cultura transmontana", disse à Lusa o presidente da câmara de Mogadouro, Francisco Guimarães.

A autarquia de Mogadouro, no distrito de Bragança, pretende, desta forma, instituir na "Casa da Gaita e do Gaiteiro" uma centro de interpretação, documentação e musealização das tradicionais gaitas de foles do Planalto Mirandês.

"Finalmente vai ver concluído um projeto quem teve o seu início em final de 2015 e com muita pena nossa esta iniciativa teve alguns atrasos na sua construção. O que é certo é que está concluído e pronto a dar a conhecer a sua temática dedicada às gaitas de fole e aos gaiteiros. Neste espaço há uma particularidade: vamos poder ensinar construir e a tocar gaita de fole", vincou o autarca trasmontano.

O novo espaço cultural é composto por um centro de documentação, uma oficina para a construção ou recuperação de gaitas de foles, uma escola do instrumento e uma loja onde serão disponibilizados todos tipos de peças relacionadas com a gaita de fole.

O equipamento cultural e didático é o ponto de partida para a organização de um conjunto de iniciativas, que vão desde residências artísticas até a planificação de festivais temáticos a realizar no Planalto Mirandês.

Para o investigador e responsável pelo projeto, Jorge Lira, a casa é um lugar vivo, onde todos dias entram e saem conhecimentos.

"Não se pretende musealizar nada no sentido clássico, ou congelar no tempo, nem conservar ´em formol´ sem transformar um objeto de cultural viva num entidade emudecida, uma casa é o lugar onde se pretende que possa morar a gaita de fole e todo o saber associado à mesma, no estado da arte mais avançando que possa ser obtido", descreve o também construtor de gaitas de fole e instrumentista.

Os responsáveis pelo equipamento pretendem dar a conhecer todo o processo de construção de uma gaita de fole desde os tipos de madeiras e das datas em que deve ser colhida a como deve ser seca ou as ferramentas a que se deve recorrer para produzir cada peça.

"A Casa do Gaita e do Gaiteiro abre portas com uma exposição de duas dezenas de gaitas de foles oriundas de todo mundo, originárias da coleção particular do músico e gaiteiro espanhol Paco Díez", disse Jorge Lira.

A exposição permanente é composta por 24 expositores oriundos de todo país onde se podem encontrar as biografias dos gaiteiros e monografia dos seus instrumentos.

O equipamento cultural ficará nas instalações de uma antiga agência bancária, no centro da vila de Mogadouro, que foi reabilitada para o efeito com recurso a fundos comunitários, através do programa Portugal 2020 e financiado em 85%.

 

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