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Milhares de pessoas na procissão do Bom Jesus do Calvário

Num grande ato de devoção coletiva, realizou-se ao final da tarde de domingo a procissão em honra do Bom Jesus do Calvário, com milhares de fiéis a percorrer as ruas da cidade, muitos deles descalços e com círios enormes em agradecimento ao Bom Jesus. 


O som da fanfarra marcou o compasso e o ritmo dos bombos invade as ruas, onde se nota a devoção dos participantes que caminham em silêncio e também na oração.
A procissão saiu da Igreja do Calvário encabeçada por dois cavaleiros e pela fanfarra, seguindo-se a cruz e a bandeira da Ordem Terceira, os irmãos, os Franciscanos, as crianças e os andores de São José, da Nossa Senhora da Conceição e finalmente o maior andor, o do Bom Jesus. 
Mais atrás vem o pálio, seguido da banda, neste caso foi a da Cumieira. Conforme passa a procissão, os fiéis juntam-se e fecham o cortejo. 
Segundo foi possível apurar, este culto remonta ao século 19, altura em que a Ordem Terceira de São Francisco e a Santa Casa da Misericórdia terão feito “um pacto” para definir, em conjunto, as principais romarias da região.
Ao Bom Jesus também está associado um milagre nas vinhas do Douro, que terão sido afetadas por oídio, mas terão sido “salvas” por intercessão divina. 
Entre as muitas pessoas que assistiram à procissão, a VTM falou com Rosa Escaleira, que não perde uma oportunidade para ver passar os andores. “Venho há muitos anos, porque gosto de ver passar a procissão. Sei que os vila-realenses são muito devotos do Bom Jesus do Calvário”, refere, adiantando que, apesar de ter ido ao Porto, ainda veio a tempo de assistir a este ato religioso. “Ainda trouxe a minha tia, que está em França, mas este ano por coincidência veio pela primeira vez ver e está a adorar”. 
O facto de as pessoas irem descalças, Rosa explicou que tem a “ver com a fé”. “É uma forma de mostrar a sua gratidão com alguma bênção que tenham recebido”. Além disso, levam ainda “uns círios altos, normalmente da altura da pessoa, para agradecer ao Bom Jesus por ajudar a ultrapassar alguma doença”. 
Antigamente, também era comum ver muitos universitários a integrar o cortejo, “possivelmente também para agradecer o facto de ter corrido bem o ano letivo”.  
A procissão, promovida pela Ordem Terceira Franciscana Secular, é um “dos mais importantes momentos religiosos da cidade, em que a proximidade entre crentes e a sua religião assume proporções de grande fé e devoção”. 

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