Adérito Silveira

A Banda de Infantaria 13 de Vila Real

A Banda de Infantaria 13 serviu com a sua arte uma população pouco instruída mas com assinalável sensibilidade para a música…


Assinale-se o contributo das Bandas de Infantaria para o bom nível artístico de músicos que hoje engrandecem, pontificam e otimizam as nossas coletividades filarmónicas. A Banda de Infantaria 13 (Vila Real) foi durante décadas, uma das mais consagradas coletividades artísticas. Seria indecoroso, injusto, não lembrar nomes que dignificaram aquela instituição. Lembramos José Nunes de Freitas, nascido em 1857, que alcançou uma medalha de comportamento exemplar, enfatizando a forma profissional e artística dos músicos.

Baltazar Falcão foi nome sonante e chefe da Banda de Infantaria 13, nascido em 1881, que, promovido a capitão em 1922, estabeleceu laços de amizade com Mateus, fomentando parcerias de colaboração mútua ao nível da didática da música na procura de um ensino qualitativamente eficaz que promovesse a pessoa humana como ser moralmente superior.

Evocamos também e justamente o tenente César Machado, homem indefetível nos ideais republicanos e diretor da Banda de Mateus, angariando louvores e ganhando admiração das entidades locais e até de governantes em deslocações frequentes a Vila Real.

Enalteça-se Alves Ribeiro, tenente músico do Regimento Infantaria 13. Foi qualificado como homem reto mas de caráter temperamental, contribuindo para o rigor de uma prática de disciplina que viria a dar os seus frutos...

Alguns músicos de Mateus tocaram a convite do Regimento de Infantaria 13. Vale a pena recordar (com saudade), António Raposo, Luís Pinto, mais conhecido por Joaquim do Pinto, António Silva, Zé da Moira, António Moura (do Raúl), Joaquim Moura (do Raúl), Armando Gomes (Zarelho) e Sargento Ilídio...

Após a extinção da Banda do 13, em 1937, depois de 100 anos de existência, alguns desses músicos transferiram-se para outros regimentos, como Lamego e Infantaria I. 

À guisa de curiosidade, não resisto em relatar uma história, que tem tanto de curiosa como de comovente pelo seu patético e inoportuno desfecho. Zé da Moura, meu avô, não esperou que a Banda de Infantaria 13 se extinguisse para passar para Mateus; os de “cá” solicitavam-no insistentemente, porque fazia falta nas suas fileiras, dado tratar-se de um clarinetista distinto e virtuoso. Zé da Moura, já como sargento músico, não resistiu à chamada, trocando um futuro brilhante pelo amor a Mateus e à sua banda. Regressa a “casa” não disfarçando, contudo, o estranho desafio que então o esperava. A sua decisão, essa explica-se pela sua fé inabalável a Frei Vicente. Era grande, Zé da Moura na humildade e na grandeza da alma…Na sua velhice, as dificuldades económicas dificultaram-lhe a vida morrendo cedo e na penúria no ano de 1942…

A Banda de Infantaria 13 em 1916 /1917, com a sua arte e espírito de bravura levou as tropas até à estação de caminho-de-ferro. À frente ela tocava uma marcha de espírito patriótico que empolgava e dava ânimo… os populares ora batiam palmas, ora choravam, temendo os que lhes iria acontecer em França, na Normandia… são as tropas que passam e é o povo que as saúda frenético na passagem e as acompanha com os olhos enternecidos até que se perdem na distância da despedida. Todos animados para o cumprimento do dever, esperançados no brilho da vitória. Inúmeros lenços se agitavam num comovido adeus. Nalguns olhos corriam as lágrimas de medo e de saudade ao mesmo tempo. “O comboio estrepitoso esperava-os e o resfolgar da locomotiva abafava o clamor entusiástico da multidão que estrugia nos ares… e a Banda de Infantaria 13 levou com o entusiasmo da sua música os militares até à estação da Régua”…

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