UCC Mateus

SAÚDE ENTRE LINHAS

A obesidade como doença crónica

O excesso de peso, que inclui a pré-obesidade e a obesidade, é provavelmente o principal problema de saúde pública em Portugal, afetando mais de 50% da população adulta e tendo implicações sérias no aparecimento e curso de diferentes patologias como a diabetes, a doença cérebro e cardiovascular, a patologia osteoarticular e a generalidade dos cancros.


Doenças, que no seu todo, representam a principal despesa em saúde do estado português e o principal encargo do Serviço Nacional de Saúde. Em Portugal, mais de metade da população adulta apresenta excesso de peso, o que sugere a necessidade de uma intervenção a dois níveis. Por um lado, é necessário apostar na prevenção através da promoção de hábitos alimentares e de atividade física saudáveis. Por outro lado, dado o elevado número de indivíduos que já se encontram com esta doença, é importante também assegurar uma terapêutica adequada para estas situações. O tratamento da obesidade é muitas vezes marcado por um forte insucesso, o que tem levado à utilização de novas abordagens terapêuticas. De acordo com os resultados do Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física, o excesso de peso já atinge mais de um quarto das crianças e adolescentes portugueses e mais de metade da população adulta, destacando-se os indivíduos com mais de 65 anos com uma prevalência de excesso de peso (pré-obesidade e obesidade) superior a 80%. Para além do impacto na morbilidade física a obesidade tem um impacto relevante no funcionamento psicológico e no bem-estar individual. Para além da predisposição biológica, também os laços sociais e comportamentais, podem contribuir para a incidência e agravamento do excesso de peso. Com efeito, indivíduos obesos com baixo nível socioeconómico reportam pior qualidade de vida relacionada com a saúde. Nos países ditos desenvolvidos, a prevalência da obesidade é maior nos indivíduos de estratos socioeconómicos mais desfavorecidos. Numa amostra representativa de adultos portugueses verificou-se que o excesso de peso era muito mais frequente nos indivíduos com menor literacia. 

É fundamental que haja uma mudança de paradigma e um investimento significativo de recursos na promoção da saúde, incentivando uma dinâmica que conduza a novas atitudes e à diminuição dos obstáculos, para as práticas quotidianas correctas de vida saudável, dirigida a todos os grupos etários e profissionais, fazendo recurso, nomeadamente, dos meios de comunicação social.

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