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GREVE DOS MOTORISTAS

Empresas turísticas do Douro apreensivas com greve

Empresas do Douro, que realizam passeios turísticos, disseram não terem sentido impacto no primeiro dia de greve dos motoristas e garantiram estar preparados para os próximos dias, mas mostraram-se apreensivos pelo protesto de “tempo indeterminado”.


“Estamos preocupados com esta situação. Temos um plano de contingência, guardamos alguns litros, mas de qualquer forma são litros que só dão para três a quatro dias”, afirmou à agência Lusa José Ricardo Fonseca, da empresa Douro First.

Sediada em Vila Real, esta empresa vai ao Porto buscar clientes, maioritariamente proveniente dos Estados Unidos da América, Brasil ou Canadá, que depois leva à descoberta do Douro. Passam por miradouros, fazem provas de vinho, passeios de barco e, ao final do dia, regressam ao Litoral.

Há dias em que a Douro First faz quatro viagens de ida e volta.

José Ricardo Fonseca disse estar apreensivo principalmente porque a greve foi convocada por “tempo indeterminado” e acredita que a imagem de Portugal “pode ser afetada”.

“Se o país parar, se deixar de haver coisas nos supermercados ou se os turistas não se conseguirem deslocar, como previsto, acho que vai afetar toda a gente e vamos ficar todos mal nesta fotografia”, referiu.

A Douro Vintage Tours, de Vila Real, proporciona várias experiências pelo território duriense, incluindo em carros clássicos ou de luxo. A maior parte destes passeios começa no Porto.

O proprietário Bruno Simões disse que, até ao momento, não sentiu qualquer dificuldade em abastecer as viaturas e adiantou ter um depósito de 200 litros preparado, caso venha a ser necessário.

Ana Carvalho, da Douro Exclusive, considerou que a primeira greve dos motoristas, em abril, apanhou as pessoas de surpresa e que, desta vez, se verificou uma maior cautela e preparação.

Também esta empresa transporta os turistas desde o Porto para o Douro e, segundo a responsável, até ao momento não se sentiu o impacto da greve e os abastecimentos têm decorrido com normalidade. A sua maior preocupação é com o prolongamento do protesto por tempo indeterminado e os “impactos colaterais” na imagem do país e no turismo.

No Douro iniciam-se em princípio, na próxima semana, alguns cortes de uvas brancas e é na altura de vindimas que os consumos duplicam. As quintas, por norma, possuem um 'stock' de combustível para alguns dias.

A greve foi convocada pelo Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), a que se associou o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte (STRUN).

O Governo decretou serviços mínimos entre 50% e 100%, racionou os abastecimentos de combustíveis e declarou crise energética até às 23h59 de 21 de agosto, o que implica “medidas excecionais” para minimizar os efeitos da paralisação e garantir o abastecimento de serviços essenciais como forças de segurança e emergência médica.

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