MIRADOURO
Sonho e Ambição
Uma citação que lemos na edição do Jornal Público da última quinta-feira, de um ator norte-americano, Sean Hampton (1981), chamou a nossa atenção, pelo óbvio que é: Sem ambição, o sonho é como um carro sem gasolina. Não vai a lado nenhum. Como no dia-a-dia podemos confirmar.
A propósito desta greve dos motoristas, que na última semana nos entrou em casa todos os dias, relativa ao comportamento dos Sindicatos e do Governo (porque a entidade empregadora, quase não se viu). O sonho e a ambição, de uns e outros, tornou-se para nós muito evidente. O sonho dos sindicatos esfumou-se. E a ambição dos governantes tornou-se bastante pretensiosa, até nas palavras de Francisco Louça, no Expresso de 17 de agosto: o país não se assustou em demasia e uma grande parte das bombas de combustível foi funcionando tranquilamente. Só que o plano (do Governo) tinha que ser cumprido — tendo até sido forçado em demasia: a requisição civil logo no primeiro dia foi precipitação. Ou pôr as tropas a conduzir camiões passados pouca horas… O Governo quis comprometer o Presidente da República e, por isso, requisitou logo a tropa. Sempre dá boa imagem de televisão.
Isto é o que Francisco Louça (grande líder do Bloco de Esquerda) recorda da ambição do Governo nesta jornada de eleitoralismo serôdio.
Recordamos também, porque é de ambição que se trata, uma jornada que a Caixa Geral de Depósito fez há dois ou três meses aqui em Vila Real, em que reuniu mais de meio milhar de convidados e trabalhadores da empresa dos seus balcões em Trás-os-Montes. O tema do debate que foi proposto para aquele fim de tarde, numa bem conseguida tenda montada ao fundo de Avenida Carvalho Araújo, era o Desenvolvimento da Região Transmontana.
Do que é que se falou? Do Vinho do Douro, claro. Da navegabilidade e das potencialidades turísticas que ela pode aportar, e, se bem nos lembramos, da gastronomia (que é muito boa, como todos sabemos).
Então é esta a ambição para o desenvolvimento de Trás-os-Montes e Alto Douro? Não há agricultura? Não há pecuária? Não há silvicultura? Não há que refazer a floresta? O Engº. Camilo de Mendonça, se vivo fosse, muito se envergonharia da nossa tacanhez! Quando passamos por aquela Terra Quente Trasmontana e vemos os vales encaixados dos rios Tua, Sabor e respetivos afluentes, torna-se evidente que todas aquelas culturas, de vinho, de amendoal, de oliveira e outras espécies, anseiam pelos planos de regadio que já foram desenhados há mais de 50 anos e que poderiam ajudar a retornar tanta população forçada a emigrar.
O que é que tem faltado? Ambição. Como sucede com o embalse sonhado para Vila Seca, no rio Corgo, e que tanta vida e riqueza energética poderia trazer a este nosso concelho.
O que tem faltado? Ambição. Era isto que se pedia à Caixa Geral de Depósitos: que nos desafiasse. O que não aconteceu.
Por nós, continuaremos a sonhar, com a esperança que dias virão, em que os sonhos se hão-de tornar realidade. Porque, insisto, o futuro do desenvolvimento passa por ter ambição.

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