Armando Moreira

MIRADOURO

Não pode valer tudo

A forma como nos chegaram determinadas notícias, na semana passada, fazem-nos refletir sobre os limites, que os políticos não devem ultrapassar, para que o mundo não passe a ser uma selva. 


E começamos pela selva da Amazónia. É bem certo que a floresta amazónica, sendo um pulmão do mundo, pela relação que estabelece com a natureza, não pode deixar de ser preservado. Mas não apenas estas florestas. Diríamos todas as florestas: a Amazónica, as equatoriais, africanas e asiáticas. As acusações, dirigidas como parecem, a Bolsonaro, por Emmanuel Macron e outros líderes mundiais, em nada prestigiam a vida em sociedade. Isto não justifica que Bolsonaro não tenha comportamentos muito criticáveis. Exige-se porém que os mais altos representantes dos países se comportem com a dignidade que os cargos requerem. 

O Presidente Donald Trump é useiro e vezeiro em lançar atoardas contra tudo e contra todos. Mas, esta de se lembrar de “comprar” a Gronelândia é um verdadeiro insulto aos habitantes daquele território, cuja soberania é exercida pela Dinamarca. 

Bem andaram as autoridades Dinamarquesas ao cancelarem de imediato a visita oficial, já programada, do Presidente Trump ao seu país. Não vale tudo. 

Como nos parece não valer tudo nesta decisão inesperada e surpreendente de Boris Johnson de suspender por mais de um mês o Parlamento do Reino Unido (o mais antigo do mundo) para poder concretizar a saída Britânica da União Europeia (Brexit), rasgando o acordo já estabelecido com o Parlamento Europeu. Mesmo que a União Europeia não vá reagir em termos formais, as consequências desta decisão (precipitada) do Sr. Boris Johnson, já se faz sentir na Escócia, e sobretudo na Irlanda do Norte, onde, como titula o Jornal Publico de 31 Agosto, “as bombas já se ouvem e a saída do Reino Unido sem acordo pode multiplica-las.” 

Um regime democrático, como é desde há séculos, aquele em que vivem os britânicos, parece, a quem está de fora, “que não havia necessidade”.

Maiorias absolutas. Vale tudo?! (Miguel Sousa Tavares - Expresso 31 de Agosto). Vejamos o que a propósito escreveu, citando António Barreto sobre o programa eleitoral do PS: "a sua filosofia mantem-se profundamente estatista antiliberal em todos os domínios da vida em sociedade. O PS continua a acreditar que o Estado tudo deve comandar, controlar, incentivar e tornar dependente. Por isso e para isso, o Estado do PS precisa de gastar 50% da riqueza do país, precisa de cobrar mais e nunca menos impostos, precisa sempre de mais e nunca menos funcionários públicos”.

Sobre a execução orçamental trimestral observem o que podemos esperar com uma maioria absoluta: ”o aumento da carga fiscal previsível, pois seria integralmente para abater a dívida ou para potenciar investimento público produtivo, mas não é, serve para financiar mais despesa corrente não produtiva”.
As maiorias absoltas de um só partido, não são um mal em si mesmas, pessoalmente até achamos que podem ter enormes vantagens para a estabilidade e para a tomada de medidas mais impopulares, mas necessárias ao desenvolvimento. 

Se for só para benesses partidárias!...

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