Armando Moreira

MIRADOURO

A batalha das nossas vidas

O Magnífico Reitor da Universidade da Coimbra, na semana passada, surpreendeu o país ao anunciar que a Reitoria daquele estabelecimento do ensino superior havia decidido, entre outras medidas, deixar de servir carne de bovino, nas suas várias cantinas, como contribuição daquela instituição para a diminuição da emissão de carbono para a atmosfera.


Estava a falar em deixar de consumir anualmente 20 toneladas de carne. Tratou-se, evidentemente, de anunciar uma medida emblemática, numa altura em que o mundo está a acordar para as alterações climáticas que se verificam por todo o planeta, com maior evidência para os cada vez maiores danos, que os tufões e tempestades que atingem zonas sensíveis, como é toda a América Central e Costa Sul e Sueste dos Estados Unidos.

Também a nossa Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, pela voz do Reitor, Fontainhas Fernandes, aproveitou para a anunciar, na sessão de boas-vindas aos novos estudantes, que um dos objetivos da UTAD, na sua contribuição para a sustentabilidade do planeta, é conseguir até 2030 transformar o campus num espaço carbono zero, estando a ser concluído um programa de eficiência energética que vai permitir baixar em 70% as emissões de carbono e 50% a fatura de energia elétrica. 

Fontainhas Fernandes detalhou as várias medidas associadas a este projeto, de que respigamos que será lançado no início do próximo ano, no interior do Campus, uma ecovia, ligando ao centro da cidade, privilegiando os trilhos pedonais, promovendo os transportes públicos e diminuindo a utilização dos automóveis. Tendo sido referido também que os atuais parques de estacionamento serão transformados em jardins, o que acrescenta ao ambiente verde que se vive desde que os vários edifícios foram ocupando, com regra e rigor, a Quinta de Prados.

Tudo isto numa semana em que António Guterres – secretário-geral das Nações Unidas, é capa de revistas e jornais em todo o mundo, e notícia nas rádios e televisões, por estar a colocar na agenda daquela instituição, esta questão das alterações climáticas, referindo com enfase: que é a batalha das nossas vidas. 

O Secretário-geral da ONU apelou mesmo aos participantes da Cimeira do Clima que se realiza em Nova Iorque para que tragam planos e não discursos.
Como referimos, a nossa UTAD parece ter já antecipado o pedido do Eng. Guterres, prometendo descarbonizar o Campus até 2030. 

A Universidade de Coimbra não olhou para o seu Campus, mas para os campos agrícolas onde vivem animais que produziriam as 20 toneladas que vão deixar de ser consumidas. Isto para exemplificar que sendo esta a batalha das nossas vidas, conforme o citado, não pode ser deixado a terceiros e com medidas demagógicas, que se pode enfrentar este problema de descarbonização do planeta. A meta para que se aponta no nosso país é 2050. Mas para lá chegarmos, temos todos de abdicar de um conjunto de usos e costumes que têm feito as delícias do nosso modo de vida, particularmente em termos de transportes. 

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