Adérito Silveira

Olhar para o chão, é preciso!

Hoje há porcarias por tudo quanto é sítio porque há pessoas que têm animais e não sabem cuidar deles, não os vigiam nem conhecem a moda da luva nem a utilidade do plástico ou mesmo da vassourinha… são pessoas mal-educadas, predadoras do espaço público… e os cocós mais rasteiros proliferam sobretudo nos passeios e nos jardins.


Também nos relvados que seriam destino para as crianças brincarem recriando o espírito num simples olhar da contemplação e beleza.
E os animais são de todas as idades, formas e feitios… são de todas as raças, dos mais rafeiros aos mais elegantes. Convenhamos, no entanto, que os animais merecem a nossa atenção e respeito porque como ninguém, eles são em tantos casos os fiéis amigos do homem, o exemplo de como se deve viver em sociedade.

Andar a pé, é hoje um exercício de concentração, perícia e agilidade… muitas vezes é preciso pular nas pontas dos pés, olhar para o chão e calcular a distância para não pisar a geometria dos cocós… quantas vezes somos confrontados com armadilhas constantes e que têm a ver exatamente com os dejetos espalhados como grãos que se deitam às galinhas…. Está em causa a saúde pública e essa é um bem inestimável.

Em muitos lugares caminha-se como em países africanos onde se procura não pisar terra minada…no entanto, refira-se que os invisuais e os velhos são os que mais sofrem e resmungam sacudindo os pés depois de pisarem a maléfica e asquerosa porcaria…
 

Os cães são os animais que sujam mais, não têm culpa nenhuma mas sim os donos que pela falta de civismo acabam por conspurcar espaços que deveriam ser de todos para deles se tirar o maior proveito e lazer…

Há pessoas que não respeitam os seus animais e até parece que os portugueses detestam os espaços de todos nós porque os sujam sistematicamente… Por cortesia, muitas freguesias colocaram à disposição dos seus habitantes pás e luvas, e indicações escritas para apanharem os dejetos dos cocós dos animais… Infelizmente não temos emenda e continuamos no comodismo da nossa indiferença e incivilidade levando os cães à rua em horas sossegadas para que a leviandade e irresponsabilidade do nosso comportamento não possam ser descobertas nem punidas…

Há um estudo feito num país do Reino Unido que estima em cerca de 250 toneladas o cocó que os cães fazem por ano… Em Portugal há seis vezes menos habitantes mas proporcionalmente há mais cães… fiquemos com números aproximados: 80 mil toneladas de cocó em cada ano que passa, ou seja nove em cada hora ou 150 Kg por minuto dão que pensar…

Na verdade, os porcalhões não são os animais mas sim os donos que os não vigiam. Tenho observado pessoas completamente alheadas dos cães quando os levam a fazer as necessidades biológicas, ao mesmo tempo que falam absortas no telemóvel perdendo-se no vislumbre vácuo das tecnologias. 
Para bem de um planeta mais limpo e mais saudável, devemos cuidar da limpeza dos nossos animais, levando-os a passear, tendo o cuidado de não esquecer o saquinho plástico, as luvas ou a vassourinha… Não custa quase nada e o planeta já tão maltratado agradece… felizmente que há pessoas incapazes de deixar cocós plantados nas ruas, nos jardins ou nos passeios. Normalmente são estudantes bem formados porque a Escola tem como missão cuidar da comunidade da qual faz parte. Infelizmente nem todas as escolas o fazem por razões diversas.

As crianças estão hoje quartadas no seu mundo virtual e perigoso e os espaços verdes onde elas poderiam brincar e conviver não são atrativos porque inesperadamente surgem “sinaleiros”, cocós impeditivos, ameaçando a liberdade de poderem usufruir desses mesmos lugares….

O mundo pertence a todos e a solução para uma boa qualidade de vida começa em cada um de nós, com pequenos gestos, atitudes e comportamentos em prol do bem comum.

Apanhar cocó não é tarefa saborosa da vida, mas esse gesto civilizado é absolutamente necessário porque na verdade nós somos seres racionais ainda que poucas vezes isso pareça… devemos viver na procura de um futuro sempre novo e renovado.

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