Armando Moreira

MIRADOURO

O Século dos Prodígios

A Fundação da Casa de Mateus entregou, no passado dia 20 de setembro, o Prémio D. Diniz, ao escritor Onésimo Teotónio Almeida, pela sua obra “O Século dos Prodígios”, em cerimónia que se realiza pela 35ª vez, a que presidiu o Presidente da República, Prof. Marcelo Rebelo de Sousa.


Não cabe neste nosso apontamento analisar o conteúdo desta obra, de um autor, nascido nos Açores, em 1946 e a residir desde 1972 nos Estados Unidos, onde é Catedrático na Universidade de Brown, sita em Providence, no Estado de Rhode Island, cidade que tivemos a oportunidade de visitar há uns anos, quando em visita oficial às Comunidades Portuguesas da Costa Leste. Ainda assim, permita-se-nos aconselhar a leitura deste livro, em que se presta uma especial atenção ao que ocorreu em Portugal nos Séculos XV e XVI, e que não tem sido destacado pelos historiadores. Com efeito, durante o final da Idade Média foram surgindo em Portugal sinais de um inovador interesse pela natureza e pelo conhecimento empírico dela, assim liderando um dos grandes momentos de viragem na história da ciência. Este livro “O Século dos Prodígios” é a revelação de como no nosso país, durante o chamado período de expansão, surgiu e cresceu um núcleo duro de pensamento e trabalho científico, verdadeiramente pioneiro, sem o qual as viagens desses séculos teriam sido impossíveis.

Deixemos para os leitores interessados a descoberta do que no livro se descreve. A nós, nesta nossa crónica, queremos relevar a intensa atividade da Fundação da Casa de Mateus, que fará 50 anos no próximo dia 3 de dezembro de 2020, e de que a maior parte das vezes mal nos apercebemos que exista. Transcrevemos das palavras proferidas na ocasião pelos responsáveis por esta instituição: 

O papel da Fundação junto da comunidade em que se insere iniciou-se há já alguns anos: anos em que reafirmámos a continuidade do Prémio D. Diniz, dos Encontros Internacionais de Música, dos Seminários da Tradução Coletiva de Poesia Viva, dos Repensar Portugal, dos Seminários com a colaboração das Universidades Portuguesas, das Sessões de Conversas e Debates sobre Arte, Ciência e Cultura. Iniciamos com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, uma reflexão sobre Ideais e Práticas de Inovação Sustentável, através do programa Eco-Mateus, que inclui conferências, workshops e uma miniescola de inovação.

Referenciamos ainda algumas das parcerias que a Fundação tem estabelecidas com múltiplas instituições de que destacamos: a UTAD, o Conservatório Regional de Música de Vila Real, o Instituto Cervantes de Lisboa, o Conselho da Cultura Galega e o Institute of Next da Catalunha, a Fundação Calouste Gulbenkian, o MIT – Portugal, Centro de Investigação das Universidades de Lisboa, IST, Nova de Lisboa, do Minho ou de Aveiro, a Fundação Vicente Risco e a Associação Portuguesa de Jardins Históricos.

Reconheça-se que, quem passa ao lado dos muros que vedam a propriedade da Casa de Mateus, nem sempre se aperceberá do pequeno mundo que ali se encerra e das atividades que ali se vão desenvolvendo. É esse porém o papel da Fundação, cujos méritos pessoalmente, aqui reconhecemos.
 

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