Armando Moreira

MIRADOURO

Gerigonça e agora?

Na altura em que escrevemos esta crónica, desconhecemos o resultado final da pugna eleitoral de 6 de outubro, que nos vem envolvendo de há uns meses a esta parte.


Vamos partir do princípio que os inquéritos que foram sendo publicados tinham rigor científico, dando a vitória ao Partido Socialista, a escassas décimas da maioria absoluta, com o maior partido da oposição a dez pontos percentuais de distância.

Antes de equacionar o “day after” permita-se-nos um juízo de valor acerca deste artifício político inventado pelo Dr. António Costa, que lhe permitiu manter-se como Chefe do Governo durante quatro anos.
Em termos políticos, a maioria de deputados na Assembleia da República garantiu a aprovação de todos os Orçamentos de Estado, cumprindo os serviços mínimos. Isto é, a aprovação de uma agenda radical, com o compromisso de devolução dos rendimentos e dos direitos que a Troika impôs para resgatar o país da bancarrota, a que o Governo Socialista anterior a Passos Coelho nos havia conduzido.
A devolução de rendimentos só foi sendo possível com os artifícios das cativações inventadas pelo Ministro das Finanças com os resultados que se conhecem no fornecimento de alguns serviços públicos, (SNS) e o nulo investimento público, suportado na maior carga fiscal de sempre para empresas e para os 25% de cidadãos que pagam IRS.

Mas conseguiram contas públicas equilibradas apesar da monstruosa dívida pública que parece não afligir ninguém.

A questão que se coloca agora é se a receita destes quatro anos é a melhor para o progresso do país. Porque é isso que está em causa, como repetidamente dizia o saudoso Francisco Sá Carneiro: primeiro o país, depois a democracia e só depois os partidos políticos.

António Costa será tentado a refazer a geringonça, porque isso lhe dará maior tranquilidade política. Está no seu direito, mas o país pouco terá a esperar desta solução.

Lembramos que Mário Soares em 1983, quando o país parecia encaminhar-se para a bancarrota, teve a lucidez de fazer um governo de Bloco Central para ter o apoio da Comunidade Internacional e das instâncias financeiras, que nos permitiram a solidez para entrarmos na Comunidade Europeia.

Lembram-se todos da célebre frase de que foi necessário “meter o socialismo na gaveta” sem que por isso o tivessem diminuído aos olhos do país que o viria a eleger para Presidente da República.
Isto para dizer que o vencedor desta pugna eleitoral a que será confrontado com a incumbência de formar governo, tem uma ocasião soberana para se livrar das amarras de uma “esquerda radical” que só quebrará os seus intuitos quando tudo estiver na mão do estado. Ora, não é esse o caminho para o progresso do país, se atraísse a economia privada.

Pelo que, um governo minoritário, mas de geometria variável, será o desafio para que estes resultados apontam.

Não aproveitar esta oportunidade, poderá ser cómodo, mas não será, seguramente, uma solução que fique na história.

Desconhecemos se o PSD alcançou no Distrito a liderança habitual. Seja qual for o resultado as nossas felicitações aos eleitos.  

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