António Martinho

VISTO DO MARÃO

Um Doutoramento Honoris Causa da UTAD reciprocamente honroso

A atribuição do grau de Doutor Honoris Causa a uma determinada personalidade reveste-se sempre, naturalmente, de grande significado.


Para o próprio, para a sociedade, para o setor de atividade a que se dedica. De igual modo para a instituição que lho atribui. Claro que, antes de mais, é uma honra para o novo Doutor. Mas não deixará de ser também uma honra para a entidade passar a tê-lo entre os seus Doutores. Em ambos os casos, porque o é “por causa de honra”. 

Decorreu no passado dia 4 de outubro a cerimónia de atribuição do título de Doutor Honoris Causa a Paul Symington pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Creio podermos afirmar que, neste caso, tem toda a oportunidade o que atrás se afirma. Efetivamente, Paul Symington vê reconhecido pela academia o seu sucesso nos negócios, o seu papel na internacionalização do Douro, a sua visão de desenvolvimento da região, que atribui importância aos bons resultados da empresa, mas também à valorização das pessoas e à sustentabilidade ambiental. Destaque, pois para o cidadão, para a pessoa, que reconhece a importância dos durienses para o desenvolvimento do próprio Douro. Os qualificativos de António Filipe relativos ao homenageado - «visionário, ético, amigo, inteligente, simpático, rigoroso, exigente, líder, generoso, humano, mestre, cavalheiro, inovador, dedicado, carismático, elétrico» - são elucidativos.

Tive a oportunidade de conhecer Paul Symington em meados de 2005. A convite dos Bombeiros Voluntários do Pinhão, testemunhei a cerimónia da bênção de uma ambulância que a empresa ofereceu àquela associação humanitária. Tempos antes, fora oferecido um equipamento de radiologia ao hospital de Alijó. Sei que se seguiram ofertas semelhantes a outras instituições. Um ano e pouco passado sobre aquele momento, participei na receção a Mariann Fischer Boel, Comissária Europeia da Agricultura, aquando da sua visita ao Douro. Fora solicitado aos convidados uma curta intervenção que realçasse um aspeto da problemática económica ou social da região do Douro. Preparei-a. Quando se iniciou o almoço, na Quinta do Bonfim, fui alertado pelo Ministro da Agricultura, que me havia solicitado essa reflexão, que já não necessitava de abordar algumas questões, uma vez que Paul Symington o fizera de forma bem convincente. Num pequeno passeio pela quinta, foi-lhe facultado fruir a paisagem, pôde ver uma pequena vinha tão bem granjeada quanto a Quinta e um pouco mais além, uma outra, com aspeto de abandonada. Bons exemplos de uma realidade duriense: os que vivem do seu trabalho na própria vinha e na quinta, que construíram a paisagem, e os que não vivem da vinha, ausentes, pouco interessados nas questões da região. Com a temperatura superior a 40º, a visitante pôde mesmo ficar convencida que o Douro é uma região “especial”. Afinal, a UTAD distinguiu um empresário que conhece bem “aquela gente de Provesende, Celeirós, (…) muitos lavradores do Douro”. 

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