Victor Pereira

Os jovens e a abstenção

De eleição para eleição, uma das faixas etárias mais abstencionista é a juventude. As explicações sobre o fenómeno, que são avançadas, não convencem.


Poucas gerações tiveram o desafogo, o bem-estar, a qualidade de vida, o nível de riqueza, as regalias e as benesses que as gerações atuais estão a ter. Deveriam estar muito agradecidas pelo mundo que lhes foi dado a viver. 

De que é que os jovens se podem queixar? Nascemos num país livre, onde cada pessoa humana pode construir livremente a sua vida, no usufruto dos seus direitos e no cumprimento dos seus deveres para com a comunidade. Há liberdade de consciência, de religião, de expressão e tantas outras fundamentais para a realização humana. Cada um pode ser e viver como quer, no respeito pela lei e pelos outros, o que noutros tempos foi negado a muitas pessoas. A liberdade e a democracia, que muitos corajosamente e abnegadamente conquistaram, não merecem que percamos quinze minutos para ir votar, participando na festa da democracia? A melhor solução é não participar na festa e fazer de conta que isto não é nada connosco? No futuro quem vai liderar a sociedade e as instituições políticas?

Hoje, a maioria dos jovens não passa fome e não é miserável, pode estudar e é pena, de facto, que ainda nem todos tenham um nível de vida digno e não possam estudar, mas se quereis que assim seja é a comprometer-se com a democracia e com a boa política e não virando-lhes as costas. Hoje, um jovem já tem telemóveis de mil euros nas mãos com toda a facilidade do mundo, o que noutros tempos era uma miragem. Muitos podem vestir-se com uma elegância ímpar. Poucas gerações tiveram os níveis de distração e diversão que as gerações atuais têm, onde não faltam atividades, desportos e ações para passar bem o tempo. Muitos jovens têm o privilégio de participar em todos os festivais de verão, com grandes noitadas, à custa de muitos pais trabalhadores e abnegados, que se devotam, talvez exageradamente ou até erradamente, à convenção social de que não se pode faltar com nada aos filhos. Nunca se teve tanta facilidade para viajar e passar férias como hoje e veja-se o número de casais jovens que o fazem. Portanto, não compreendo o desinteresse e a indiferença da juventude. Tende lá a gratidão de retribuir com participação cívica. 
 

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