Adérito Silveira

Pensar o Natal com espírito!

   Lembro um velhinho centenário que quase sem forças tocava numa velha sanfona. No entanto, havia nele vontade de a tocar como forma de sobreviver às misérias cavernosas da vida. Vivia só com o seu instrumento milagroso que lhe prolongava os anos e as esperanças.



Morreu numa noite de Natal feliz ao toque de uma antiga melodia que nos seus últimos acordes o fez sorrir emprestando aos seus olhos uma luz e um brilho quase que incandescentes porque o velhinho acreditava no Natal e pensava que o Menino Deus o queria levar nessa mesma noite. E a noite se fez cristalina de céu límpido e transparente, noite em que a Via Látea é impressionantemente branca e as estrelas brilham com intensidade e mistério. O velhinho olhou a sanfona antes de morrer com um sorriso libertador como nunca ninguém terá visto. Olhou depois a imagem brilhante de Jesus Cristo que parecia sorrir para ele. Uma imagem cheia de frescura virginal, sem mácula como se fora uma manhã de aleluia. E assim o decrépito centenário quis morrer nessa noite mágica de Natal.

Neste mês de Natal morre-se muito, definham-se pessoas de muita idade pelas emoções fortes provocadas das lembranças em que as famílias se uniam num elo forte de amizade e amor verdadeiro pelo próximo.

“Só ama verdadeiramente quem ouve e segue a Voz do Messias Salvador. A Voz da razão e da sabedoria, a Voz de todos os milagres”… Estas foram as palavras de uma mulher piedosa e boa de coração que ciente da fé inabalável a Cristo proferiu num dia de Natal com um sorriso cândido e santo que lhe bailava nos lábios. Um lindo sorriso imbuído de pureza que só o tempo natalício é capaz de oferecer…
Dezembro, mês em que Jesus veio ao Mundo para salvar a humanidade de atropelos e imoralidades. E Ele trouxe duas lindas mensagens aos homens de boa vontade: a da paz e a do amor. Paz para que as nações não semeiem a miséria, a violência e não abusem dos fracos e dos pobres. Amor, para que todos os habitantes da terra sejam considerados filhos de Deus e assim possam surgir novos Cristos e novos irmãos irmanados no mesmo amor, pois a todos se deve dar incondicionalmente o carinho e o respeito necessários. Amor, para que não se deixe vingar nos corações de cada um a vaidade e o egoísmo, o ódio e a violência. A vaidade pode tornar-se insuportável aos olhos dos nossos irmãos e ser a causa de muitas invejas e infelicidades. O egoísmo pode geração ambição que na verdade é a origem de muitas injustiças…

O mundo em que hoje vivemos encandeia e sufoca com luzes hipócritas em nome talvez de uma qualquer ordem estabelecida que ofusca e não deixa ver a verdadeira razão das coisas…
É sabido que todos nós desejamos a paz e perante tantas atrocidades e indiferenças das desgraças alheias, a solução para que a luz da razão a todos ilumine não tem sido tarefa fácil porque a ambição humana ignora a miséria e o perigo das guerras cruéis e devastadoras…

No fundo, o Homem neste tempo votado às novas tecnologias, parece ficar indiferente ao Milagre da Vida pelo Nascimento de Jesus Menino e, assim, fica arredado das palavras por Ele proferidas.
Na verdade, hoje, o Homem quase que desconhece o espírito de Natal. Os comportamentos em muitos casos selvagens e desumanos são pois a explicação disso mesmo.

Nesta quadra é preciso calar os infelizes, os deserdados, os fracos em nome do Nascimento do Menino Redentor. Neste mês de dezembro, para quem sente o espírito natalício, o tempo parece deslizar tranquilo, sereno e até se respira melhor. E as luzes, as estrelas e o céu na sua ansiedade de darem alegria a todos os habitantes da Terra, parecem também querer furar o negrume das noites, alumiando o coração de todos, dando esperança a quem sofre na escuridão do isolamento e da indiferença dos outros.

O espírito de Natal é cada vez mais necessário para que se possa acreditar que a Paz Universal é possível quando todos sentirem que Jesus nasceu para engrandecer a alma dos habitantes da Terra, glorificando o Senhor na vertigem do Seu amor infinito e redentor.

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