Armando Moreira

MIRADOURO

Há futuro para o planeta? Há.

Os recentes incêndios que ocorreram na Austrália, um dos mais extensos países do mundo, em que ardeu uma área equivalente à superfície do nosso país – mais ou menos noventa mil quilómetros quadrados, vieram mostrar a vulnerabilidade da natureza, quando o seu principal habitante, – o ser humano, não cuida suficientemente bem, da sua proteção.


Lembrámos naturalmente o que ocorreu há pouco mais de dois anos no centro do nosso país, em que uma tragédia de muito menor dimensão, lançou dúvidas sobre a eficácia dos Serviços de Proteção Civil, em particular das respetivas câmaras municipais, em que se ficou com a ideia (errada!) de que poderiam ter prevenido aquela catástrofe. Com o que se passou na Austrália, muitos de nós passamos a admitir, que quando alguns fenómenos da natureza – no caso, o fogo, decidem desencadear a sua força, o ser humano parece sentir-se impotente para lhe fazer face. E, no entanto, recentemente, em programa televisivo, um professor catedrático da Universidade do Minho, pegando num pequeno telemóvel, desafiou-nos a pensar, o que aquele minúsculo instrumento era capaz de fazer. Naturalmente: chamadas telefónicas, com ou sem som, leitura e envio de mensagem, escritas e por voz, máquina calculadora, leitura de comunicação social do próprio dia e de dias anteriores, leitura de todo o tipo de livros – romances e ou científicos, máquina de filmar, máquina fotográfica e tantas outras operações que não interessa aqui especificar. Um pequeno instrumento recarregável (ao que parece com pilhas do Lítio), fazendo estas e outras habilidades, para as quais, há pouco mais de vinte anos, eram necessárias variadíssimas máquinas e instrumentos, cujo uso pessoal era quase impossível de obter. Para que é que este exemplo serviu? Para explicar, que foi graças ao desenvolvimento científico que estas tecnologias foram sendo apuradas.  Quem é que conseguiu isto que parece um milagre? A inteligência humana. Graças a esta, em menos de um século, as sociedades vêm mudando quase sem darem por isso. É muito difícil fazer futurologia, porém, uma coisa é certa: estas novas sociedades do século XXI já não têm nada a ver com as da Revolução Industrial, iniciada há pouco mais de dois séculos. E, com todos os defeitos e dificuldades, os avanços tecnológicos permitem um nível de vida pessoal e coletivo, incomparavelmente superior. É próprio da natureza humana desejar sempre mais e melhor. Porém, sem que as pessoas se apercebam, as sociedades vão evoluindo e beneficiando das descobertas científicas, que não param (felizmente) de acontecer. Lembrava aquele professor da Universidade do Minho que, esta espécie de rebelião da classe média, esquece, por exemplo, que o nosso país, que ambicionava há trinta anos ter o nível de vida americano, já hoje o ultrapassou. E apesar disso as pessoas, e bem, continuam a desejar mais e melhor. Isto para dizer, que por mais fenómenos da natureza, que pareçam superiores à capacidade humana, esta tem demonstrado ser capaz de os superar. O que nos leva a ter titulado que há, com toda a certeza, futuro para a espécie humana no planeta. Porque as riquezas deste, continuam, como afirmam os cientistas, quase inteiramente por explorar. Confiemos na capacidade humana e nos seus acumulados conhecimentos científicos.

Como se afirma no Pacto Ecológico Europeu, recentemente aprovado: Precisamos, porém, adotar a forma como produzimos e consumimos para proteger a nossa saúde e o nosso bem-estar e salvaguardar o nosso Planeta para as gerações vindouras.

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