Barroso da Fonte

História do Monumento aos Combatentes (III)

Na edição de 30 de janeiro assinei a segunda parte sobre o título em epígrafe, onde revelei a razão pela qual resolvi fundar a Associação Nacional dos Combatentes do Ultramar.


Numa viagem de Guimarães a Montalegre, numa estação de rádio, ouvi o capitão Vasco Lourenço anunciar uma Associação com o nome de 25 de Abril, através da qual iria travar algumas vozes dissonantes, especialmente de oficiais milicianos que, um pouco por todo o país, se faziam ouvir. Estávamos em março de 1982. Passava eu a essa hora na EN 103, na zona na Barragem de Pisões onde trabalhara, entre 1962 e 1964, como Fiscal da HICA. Nunca mais esqueci essa entrevista. Eu que por essa altura colaborava numa série de jornais e regionais e era, em Guimarães, o correspondente do Jornal de Notícias, senti-me ofendido com a forma como Vasco Lourenço anunciava, um projeto para reprimir vozes como a minha e tantas que, por essa altura, se liam e ouviam a pessoas da mesma geração que precisaram dos milicianos para, solidariamente, cumprirem os seus deveres.

Não mais parei enquanto não vi legalizada a ANCU (abreviatura) da coletividade que já celebrou 36 anos e que tem, desde o ano dois mil, a sede em Tondela. Durante vinte anos manteve a sede em Guimarães e eu, como seu presidente, criei e dirigi o Boletim Sentinela, mais tarde Voz do Combatente, de que já se editaram 147 edições. Nesse Boletim se registou tudo aquilo que constituiu o diário da ANCU, nestas quase quatro décadas. Nessas primeiras edições se registaram milhares de nomes de associados, dos convívios que anualmente realizaram. Aí se condensaram:  crónicas, cartas, relatos, estatutos, legislação e, sobretudo, se prova e comprova que a verdadeira história do Monumento Nacional em Homenagem aos Combatentes do Ultramar, ao tempo dos ministros da Defesa, engenheiro Eurico de Melo e doutor Fernando Nogueira. Foram eles os dois ministros que acompanharam, nomeadamente com os subsídios mais significativos, a fase do planeamento e construção. Nenhuma outra fonte, como o Sentinela, fez registo de tudo aquilo que hoje desmente generais mal informados, organismos públicos que tomaram medidas justas ou injustas, a favor ou contra a Instituição que já por dois atos eleitorais, entre associações de todos os ramos e especialidades militares, elegeram para presidente da Federação dessas muitas coletividades, o dr. António Ferraz que desde 2002, me substituiu na liderança da ANCU que reclama a paternidade do Monumento Nacional dos Combatentes, situado junto ao Forte do Bom Sucesso, em Belém, Lisboa.
 Essa demonstração ocupará outra (s) crónica (s) porque anda por aí muita gente mal informada e, enquanto eu puder, tudo farei para defender o princípio que manda dar «o seu a seu dono».

Para já desejo que fique claro o seguinte: a ANCU nasceu de uma afirmação pública, produzida pelo fundador da Associação 25 de Abril. Em 18 de março de 1982 já tinha cerca de 700 inscritos. Em agosto de 1982 foi publicado o 1º número do Sentinela.

Essa afirmação foi entendida como provocatória pelo signatário que, ato contínuo, decidiu passar a palavra a outros combatentes que pelas mesmas razões, fundaram a ANCU. Cada associação seguiu o seu destino. Nunca se relacionaram nem houve contactos. Os quase quarenta anos decorridos demonstraram que os objetivos eram fraturantes. E o bom senso demonstrou que foi melhor assim, já que se evitaram divergências inconciliáveis de ordem profissional.

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